Congresso será de 10 a 14 de agosto em Montevidéu. UNE defenderá o fortalecimento da integração latino-americana por meio da educação

 

O 16º Congresso Latino-Americano e Caribenho de Estudantes (Clae), importante espaço de discussão para definir os rumos da educação no continente, acontece na cidade de Montevidéu, no Uruguai, durante os dias 10 a 14 de agosto. Na ocasião, questões como a regulamentação do ensino privado, o fortalecimento da educação pública e a mobilidade acadêmica serão temas fortemente discutidos.

De acordo com o comitê organizador do encontro, mais de três mil delegados já confirmaram presença.  A União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e a ANPG estarão presentes.

Bandeiras

A delegação brasileira levanta como principal bandeira no fórum a integração latino-americana para um desenvolvimento soberano do continente por meio da educação. “Defendemos um projeto de desenvolvimento do Brasil, mas isso só é possível com um desenvolvimento solidário ao da América Latina. Queremos, com nossa participação, fortalecer essa integração por meio da educação”, explica o presidente da UNE, Daniel Iliescu.

Um dos principais debates levantados no congresso será a criação de um plano de mobilidade acadêmica para o continente, que preserve o caráter público do ensino e que contribua para a integração justa e solidária dos países da região. “Esse é um elemento muito importante para a integração, e que atualmente não é promovido por nenhum governo na América Latina”, comenta o diretor de Relações Internacionais da UNE e Secretário Executivo da OCLAE, Mateus Fiorentini. “Vamos dar visibilidade a duas experiências concretas que o Brasil tem nessa área, que são a UFFS (Universidade Federal da Fronteira do Sul) e a UNILA (Universidade Federal sa Integração Latino-Americana)”, complementa Iliescu.

As recentes manifestações dos estudantes chilenos contra o governo e a mercantilização da educação também estarão no eixo dos debates do congresso como motivação para se discutir a organização dos movimentos sociais na América Latina. “Os estudantes estão protagonizando essas manifestações contra o governo e esse processo de confronto tem gerado, além do desgaste do governo, um amadurecimento do movimento estudantil do país. Isso culminará em uma organização nacional, que eles ainda não têm”, conclui Mateus.

Programação do Congresso

A direção da UNE também se mobiliza para levar a Montevidéu membros de entidades parceiras para compor as mesas de debate e qualificar ainda mais as discussões. “Abordaremos o tema “Olimpíadas” e queremos levar alguém do Ministério do Esporte para falar sobre como o evento pode ser mais um elemento de fortalecimento da integração do continente”, explica Mateus.

No congresso acontecerão conferências com os temas "A crise do capitalismo e suas alternativas na América Latina", "Educação Pública no século 21" e "A Unidade dos Movimentos Sociais e o compromisso do movimento estudantil na luta emancipatória continental".

Além disso, o evento reunirá as comemorações dos 45 anos da Organização Continental Latinoamericana e Caribenha de Estudantes (Oclae). O encontro será encerrado no domingo, dia 14, com uma Tribuna Antiimperialista, e a Plenária Final, que aprovará resoluções e elegerá a próxima direção da Oclae.

Sobre a OCLAE

Atualmente a OCLAE reúne mais de 30 federações de estudantes de 23 países do continente, tem assento no conselho consultivo da Organização das Nações Unidas (ONU), participa do Instituto Internacional da Unesco para Educação Superior da América Latina e Caribe (Iesalc) e compõe a comissão de segmento da rede de enlaces da Unesco. Em 2009, desempenhou papel de destaque na Conferencia Mundial de Educação, que aconteceu em Paris, na França.

A OCLAE foi fundada em 1966, depois do 5º Congresso Latinoamericano e Caribenho de Estudantes, como uma resposta dos estudantes à intervenção norte-americana na educação dos países do continente. Nesse período, no Brasil, estabeleceu o MEC-Usaid com os Estados Unidos, acordo que promoveu uma reforma no ensino público do país. 

Fonte: Estudantenet

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