Reunida na última sexta-feira (30/08), no prédio da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a diretoria da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) deliberou pela intensificação das mobilizações e preparativos para o dia 7 de setembro, quando as entidades estudantis realizarão o quarto grande ato em defesa da educação e da ciência.

Além da diretoria, estiveram presentes representações das APGs de PUC, USP Capital e USP Ribeirão Preto, UERJ, FioCruz RJ, FioCruz PE, UFAM, UFMG, UFV, UFU e UFRGS, o que ajudará a dar capilaridade às manifestações através de assembleias nas universidades.

A ANPG também decidiu realizar, em conjunto com a UNE e outras entidades do movimento educacional, um seminário sobre o programa “Future-se”, lançado pelo MEC. A ideia é qualificar o máximo de lideranças para debater a fundo o projeto e construir alternativas para a superação dos desafios das universidades, um projeto de Reforma Universitária que aponte para o fortalecimento da universidade pública, gratuita, laica e de qualidade. Em sua intervenção, Flávia Calé, presidenta da ANPG, apontou que a resistência deve ser “ampla e sem sectarismos”, por isso, é preciso agregar forças para enfrentar a agenda educacional imposta pelo ministério.

Outra deliberação importante foi a convocação do 42º Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos (CONAP), segundo fórum político deliberativo mais importante da ANPG. O 42º CONAP será realizado nos dias 15, 16 e 17 de novembro, na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Mesa de abertura debate a resistência à agenda autoritária e anticientífica de Bolsonaro

A mesa de abertura da reunião de diretoria teve a participação da reitora da PUC-SP, professora Maria Amália; da reitora da Unifesp e representante da Andifes, professora Soraya Smaili, de Roberto Muniz Barretto, presidente da Associação dos Servidores do CNPq; e Rodrigo Medina, do Andes-Sindicato Nacional.

A reitora da PUC, anfitriã do evento, lembrou o histórico de resistência democrática da universidade, que chegou a sediar encontros da SBPC no período da ditadura militar, e do papel determinante dos recursos públicos para a educação e a ciência. “O sistema de bolsas da CAPES e do CNPq foi o que viabilizou a pós-graduação brasileira. Recursos privados vão para aquilo que é de interesse da iniciativa privada, mas os recursos sistemáticos, para as áreas de interesse da sociedade, são públicos”, lembrou. “Sem isso [política de financiamento], muda-se o perfil da pós-graduação no Brasil”, disparou Maria Amália contra os cortes de bolsas da CAPES e CNPq.

Roberto Barretto abordou a crise hoje vivida pelo CNPq, que ameaça a existência da instituição e o pagamento de 84 mil bolsistas, como fruto de imposições de fora para dentro, de agentes do governo para debilitar e destruir a agência, em ação de sabotagem à ciência e tecnologia como alavancas do desenvolvimento nacional. Diante de tal quadro, afirmou Barretto, “a luta não é apenas pela recomposição das bolsas e defesa do CNPq, mas de todo o sistema nacional de ciência e tecnologia, do papel das universidades que devem ter compromissos com os interesses nacionais”.

Soraya Smaili falou sobre o funcionamento das federais diante do bloqueio orçamentário. Segundo a reitora da Unifesp, o ano já chegou ao nono mês, mas apenas 55% do orçamento da universidade foi executado. “Temos tido contingenciamento de recursos desde 2015, mas esse ano foi o primeiro que tivemos um bloqueio dessa magnitude mais contingenciamento”. Fazendo analogia com uma casa em que faltam recursos, a professora disse que tem sido obrigada a fazer opções, “um mês eu pago aluguel, outro mês pago a luz”, e está “reduzindo as atividades gradativamente”.

Soraya também falou que é necessário lutar agora para garantir melhores condições orçamentárias para o ano de 2020, evitando novos cortes na educação e em ciência e tecnologia. Sobre o Future-se, a reitora disse que o programa contém problemas e inclusive ilegalidades, como a constituição das organizações sociais à revelia da lei que organiza as OSs. “É muito importante que tenhamos organização. Podemos fazer muito, principalmente dentro do parlamento. A Iniciativa Nacional Pela Ciência e Tecnologia [que reúne diversas entidades científicas para defender a C&T] está atuando dentro do parlamento, falando com os parlamentares. A ANPG faz isso muito bem. Vocês falam com todos os parlamentares”, disse.

Para a professora, é preciso chegar ao povo, mostrar que o papel da ciência para a sociedade: “uma única pesquisa da Unifesp fez o ministério da Saúde economizar um bilhão”, exemplificou. “Precisamos explicar de maneira simples o que acontece quando ficamos sem a ciência, sem a possibilidade de fazer o ciclo do zika vírus, do diagnóstico até a vacina”.

Para Rodrigo Medina, do ANDES-Sindicato Nacional, o governo Bolsonaro representa uma direita ultraliberal, obscurantista, inimiga da soberania nacional e dos interesses do povo brasileiro. O professor alertou para o risco de o Ministério da Educação apresentar o programa Future-se por Medida Provisória, o que acarretaria sua aplicação imediata até a avaliação da medida pelo parlamento.

Veja os atos convocados para o dia 7 de Setembro:
Atos Confirmados dia 07 de setembro 💪🏽 🇧🇷

REGIÃO SUL
RS – Porto Alegre 15h/ Parque Farropilha- Redenção
PR – Curitiba 11h/ Praça Santos Andrade

REGIÃO SUDESTE
SP São Paulo 10h/ Praça Oswaldo Cruz
SP – Campinas 14h/ Largo do Rosário
MG – Belo Horizonte 9h/ Viaduto Santa Tereza
RJ – Rio de Janeiro – horário a definir Candelária

REGIÃO CENTRO OESTE
GO – Goiânia 08:30/ Catedral de Goiânia

REGIÃO NORTE
AM – Manaus 15h/ Praça da Saudade
PA – Belém 08h/ Terminal Rodoviário De Belém São Brás

REGIÃO NORDESTE
BA – Salvador 08h/ Praça Campo Grande
PE – Recife 08h / Praça do Derby
CE – Fortaleza 08h Av. Dioguinho / e 15h Praia de Iracema

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