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Grupo de trabalho sobre financiamento adequado do SUS, com Dalmare Sá ao centro

Foto: Eduardo Paulanti

Nesta quarta-feira (04), durante a 9ª Bienal da UNE, aconteceram discussões sobre saúde pública no Brasil, parte do seminário coordenado pela ANPG, “Educação, saúde e desenvolvimento: a juventude por mudanças na saúde do Brasil para cuidar bem das pessoas”, que ocorreu no dia anterior (03), na Fundição Progresso, Rio de Janeiro.

Os grupos de trabalho temático (GTT) deveriam discutir e levantar três propostas para a saúde pública brasileira, a partir de um embasamento teórico. Coordenados pelo Diretor de Saúde da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Dalmare Sá, que também esteve presente em um dos grupos, os quatro GTTs  foram divididos entre os temas ‘Financiamento adequado do Sistema Único de Saúde’; ‘Valorização do Trabalho e Educação em Saúde, Ciência, Tecnologia e Inovação no SUS’; ‘Fortalecimento da participação e controle social na saúde’ e ‘Direito à saúde com ampliação do acesso e atendimento de qualidade’.

As propostas debatidas pelo grupo de Dalmare, que também é residente em Saúde Mental da UFS, tinha como tema o financiamento adequado do SUS, e passam pelo aumento do investimento do Produto Interno Bruto brasileiro de cerca de 4% para 10%. “Nossa proposta traz necessidade de uma auditoria da dívida pública, pois essa pode comprometer o financiamento adequado do Sistema Único de Saúde”, afirma. Segundo ele, os países desenvolvidos que teriam sistemas universais de saúde de qualidade chegam a investir de 10 a 15% em saúde pública. As outras propostas permeiam a participação dos jovens na saúde, buscando ideias novas para rejuvenescer a militância. “Trabalhamos em propostas que atenderiam a maioria e aumentariam as formas de participação juvenil nos espaços”, completa Dalmare.

O segundo grupo debateu pensamentos relativos ao controle e participação social na saúde. Segundo uma das coordenadoras, Manoela Mathias, as propostas dos presentes consistiam em estimular a participação da sociedade geral, mas principalmente a dos pós-graduandos, o que influenciaria diretamente nas políticas de saúde. “Apresentamos a proposta de uma conferência livre de estudantes, unindo UNE e ANPG, para podemos pensar em maneiras que ajudariam no debate da 15ª Conferência Nacional de Saúde”, afirma a mestranda da UERJ. Para ela, a sociedade estaria distante dos mecanismos de participação social na área de saúde. “Acreditamos que o SUS foi uma conquista do povo brasileiro e que devemos tensionar as bases para efetivamente construir políticas maiores”, finaliza.

Já o grupo relativo a discussões da valorização do trabalho e educação em saúde criaram propostas baseadas em formação dentro do próprio SUS, percorrendo todos os níveis de ensino dos profissionais da área. “Trabalharíamos com a questão da interdisciplinaridade em processos ativamente ligados à sociedade e que entrem em contato com o SUS na realidade”, afirma Claudimar Amaro, pós-graduando da USP Ribeirão Preto e um dos coordenadores do grupo, “com as discussões, percebemos que existe um déficit na formação quando se fala do que é ensinado teoricamente e a verdadeira prática do SUS, portanto acreditamos que desde os primeiros anos da graduação, o estudante tenha essa vivência, mesmo que não em toda sua complexidade”, diz. Segundo ele, tal ação traria uma ressignificação do futuro profissional e  combateria o impulso da especialização precoce. “É a relação de saúde que vai além do biológico e se torna uma intervenção da pessoa no seu contexto dentro da sociedade”, completa Claudimar.

O último grupo de trabalho tinha como tema o direito à saúde e a ampliação do acesso, e trouxe pautas que buscam garantir o acesso universal ao cuidado. “Consideraríamos os coletivos da sociedade, como os moradores de rua, a população LGBT, os soropositivos, entre outros”, diz Marianne Rocha, da APG FIOCRUZ . Segundo ela, a proposta traria a criação de estratégias que garantiriam um atendimento médico mais humanizado e diferenciado, “mas respeitando a questão da universalização do sistema”, completa. Além disso, o grupo também discutiu propostas acerca da melhor capacitação do profissional e uma melhora na informação. “A ideia é introduzir nas escolas de ensino médio a questão da saúde, para que os mais jovens passassem a entender mais cedo a importância da participação do cidadão na sua construção”, finaliza Marianne.

As ideias surgidas nos debates entre os presentes irão compor uma carta à sociedade, com propostas de diretrizes da juventude para a juventude e a construção de conferências futuras, além de criar um documento de orientação às diversas entidades estudantis para a 15ª CNS, sendo, também, um possível estopim para a criação de novas políticas públicas.

Por Magdalena Bertola, do Rio de Janeiro

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