USC assinou acordo com a Capes nesta quinta-feira. Selecionados serão recebidos pela universidade sediada em Los Angeles a partir de agosto de 2014

A Universidade do Sul da Califórnia (USC), sediada em Los Angeles, assinou, na tarde desta quinta-feira, um acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) para a concessão de bolsas de doutorado a brasileiros. Os valores pagos aos bolsistas podem chegar US$ 50 mil por ano, custeados pelo governo federal e pela própria universidade. O pacto terá duração de 5 anos, podendo ser prorrogado por outros cinco e não há teto para o número de pesquisadores a serem admitidos.

As oportunidades valem para as 18 faculdades da instituição, que envolvem mais de 90 centros de pesquisa e transitam entre áreas como tecnologia, saúde e arte. Para participar, os candidatos precisam produzir um projeto, sob orientação de um professor da USC, e submetê-lo à aprovação pela própria instituição. Uma vez aprovado, o aluno entra com o pedido de liberação da bolsa junto à Capes. O Brasil é o quarto país a firmar esse tipo de acordo com a universidade, atrás de Taiwan, Chile, México e China.

De acordo com o vice-reitor de Iniciativas Globais da USC, Anthony Bailey, que foi a Brasília assinar o acordo com o presidente da Capes, Jorge Almeida Guimarães, o grande diferencial da parceria é o nível da bolsa. Trata-se do "Global Fellowship Program", que é o mais alto incentivo oferecido pela instituição. Entre os benefícios estão o pagamento de duas passagens de ida e volta, a cobertura de estadia de filhos e cônjuges e auxílio-acomodação. A ideia é que os primeiros contemplados comecem a estudar em agosto do ano que vem.

Sobre o interesse pelos brasileiros, Anthony explicou, em entrevista ao GLOBO, que a universidade vê com bons olhos a criatividade das pessoas que vivem no país:

– As soluções para o futuro tendem a vir de pessoas criativas. E os brasileiros veem o mundo de uma forma bem ampla. São abertos a enxergar as coisas de formas diferentes. Além disso, eles se relacionam muito bem com as outras pessoas, o que ajuda na comunicação. Afinal, uma boa pesquisa tem que ser bem comunicada – disse.

A vice-presidente de Admissões e Planejamento da instituição, Katherine Harrington, também visitou o Brasil, e comentou que, acima de tudo, a instituição busca estudantes e pesquisadores de alto nível.

– Queremos pessoas muito qualificadas academicamente e interessadas em fazer pesquisas independentes. Também esperamos que não meçam esforços em contribuir com novos conhecimentos para o futuro, mas que não estejam interessados apenas em obter este conhecimento. É preciso levá-lo a novos lugares – definiu.

Interdisciplinaridade

Referência mundial em áreas como medicina esportiva, atletismo e desenvolvimento de games, a universidade também é famosa por abrigar a melhor faculdade de Cinema do mundo. No meio de toda essa diversidade, um dos pilares da instituição é justamente convergir as diferentes áreas do conhecimento em busca de um ensino interdisciplinar. Para Katherine, este deve ser o mote das universidades:

– Acho que as universidades têm que trabalhar para resolver problemas reais, os quais não envolvem exigências de uma única área. Nós pensamos em soluções para problemas complexos, como guerras, pesquisas de sustentabilidade e fome, que envolvem múltiplas dimensões. Por isso, precisamos convergir muitas áreas do conhecimento para conseguir resolvê-los. Não podemos ficar fechados em áreas específicas.

O intercâmbio de estudantes, na opinião dela, tem tudo a ver com isso. Através destes programas, é possível chegar uma rede criativa de pessoas que podem aprender umas com as outras. A USC, inclusive, é a universidade norte-americana que mais recebe alunos internacionais. Atualmente são mais de 8.000 alunos provenientes de 115 países.

– Sabemos que os líderes do futuro atuarão em cidades globais, e não cidades da China ou do Brasil. E intercâmbios, como este que estamos firmando parceria com a Capes, expõem os contemplados a professores e estudantes de todas as partes do mundo.

A relação do Brasil com a instituição vem sendo construída há algumas décadas. Desde a década de 1950, jé exite uma parceria com a Fundação Getúlio Vargas e, no início deste ano, a universidade abriu em São Paulo seu primeiro escritório na América Latina. Em agosto, a USC também formalizou uma parceria com a Universidade Federal de São Paulo, para o uso de células-tronco no tratamento da cegueira provocada pela idade avançada.

(Eduardo Vanini/O Globo)

 
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