O Professor Titular do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Francisco de Assis Esteves demonstrou seu “repúdio ao assédio moral realizado pela Direção da Maison du Brésil” contra uma de suas orientandas, que faz estágio na França.

Em Paris, a aluna participou de atividades da campanha do Plebiscito Constituinte e também integrou a Comissão Eleitoral que participaria da reconstrução do Comitê de Residentes. A Diretora da Maison du Brésil, Sra. Monica David, afirmou que a estudante poderia ser processada sob a acusação de “fazer parte de um grupo que quer promover a desordem na Maison du Brésil”.

No relato enviado ao Departamento de Relações Internacionais da CAPES, a aluna afirma que, poucos dias após a realização de uma assembleia de estudantes, foi ameaçada de expulsão pela Diretora da Maison du Brésil. Em seguida, a Diretora da Maison apresentou, como alternativa à expulsão, a transferência forçada da estudante para a residência de outro país dentro da Cidade Internacional Universitária, o que, além de uma punição, é uma clara tentativa de desarticulação do movimento estudantil na Casa do Brasil na França.

Informado sobre a situação, o Professor Francisco de Assis Esteves, orientador da estudante, deu a seguinte declaração:

“A estudante desenvolve pesquisas sob minha orientação desde 2006, quando ingressou no Laboratório de Limnologia da UFRJ para realizar a sua iniciação cientifica. Atualmente, a estudante faz parte do Programa de Pós-graduação em Ecologia da UFRJ, no qual desenvolve seu projeto de doutorado em uma das principais linhas de pesquisa coordenadas por mim. O seu longo histórico acadêmico sob minha orientação me permite comprovar seu excelente desempenho acadêmico, cientifico e profissional como pesquisadora. A bolsa de pesquisa no exterior concedida à estudante brasileira reflete a importância das suas pesquisas no Brasil e é o resultado de anos de dedicação à produção científica.

O assédio moral ao qual a estudante foi submetida nos últimos dias pela Direção da Maison du Brésil prejudica amplamente o trabalho acadêmico individual da pesquisadora, além de causar transtornos psicológicos que trazem diversas consequências para a vida acadêmica, profissional e pessoal da estudante.

A Maison du Brésil é um espaço que deveria oferecer condições adequadas de estudo e moradia no exterior para estudantes da pós-graduação brasileira, contribuindo para a realização de pesquisas essenciais ao desenvolvimento científico do país, e não causar transtornos injustificáveis durante a estadia dos pesquisadores na França.

Diante do acontecido e relatado pela estudante, solicito o fim imediato do assédio moral, das punições e ameaças contra a estudante. É inadmissível que a estudante seja perseguida por razões que foram caluniosamente utilizadas contra ela pela Diretoria da Maison du Brésil, gerando problemas que repercutem diretamente no desenvolvimento do seu projeto de doutorado e que não estão de acordo com a politica de pesquisa no exterior favorecida pelo Ministério de Educação e pela CAPES.”

Da redação

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