Realizada na 11 Bienal da UNE e parceria com a ANPG, a mesa Soberania, ciência e tecnologia: desafios para a superação da crise e desenvolvimento nacional contou com a presença de Helena Nader, presidente de honra da SBPC, José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobrás, Reinaldo Centroducatte, presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior ANDIFES, Deyvid Bacelar, dirigente da Federação Única de Petroleiros e Moisés Borges, representante do Movimento Atingido por Barragens, MAB. O debate foi mediado pela vice-presidente da ANPG, Manuelle Matias, e o secretário geral da entidade, Flávio Franco.
O debate teve como objetivo encontrar saídas para a ameaça à soberania do Brasil diante deste cenário político e as relações entre ciência e tecnologia essenciais para soberania nacional. “Estamos vivendo em um mundo em transformação, no qual o verdadeiro poder se refere a duas coisas: recursos primitivos e novas tecnologias de comunicação e indústria 4.0. Essa disputa hoje é desenhada entre China e EUA. E o Brasil está ficando de fora”, disse Gabrielli.
O presidente da Andifes, complementou que a produção de ciência e tecnologia aliado a educação são vetores de crescimento econômico e desenvolvimento social e que isso já foi comprovado em vários países do mundo.  Para Cenducatte, a produção feita nas universidades agrega valor à vida da população. “Mas o Brasil passa por oscilações no investimento de orçamentos para a ciência, tendo esses últimos anos com os piores valores e com isso é impossível construir um projeto”, explicou.
Helena Nader reforçou as falas do presidente da Andifes com apresentações e números que comprovam que o investimento em ciência traz retornos comprovados para o país. “ A falta de política pública pode ser vista na comparação do investimento brasileiro em relação ao mundo. O Brasil é o 10º país em Despesa Interna Bruta em Pesquisa e Desenvolvimento (DIBPD), que inclui investimento privado. Parece bom, mas o país é apenas o 24º quando em DIBPD per capita, com US$ 723 (o ranking é liderado pelo Catar, com US$ 4 mil). O país cai ainda mais no ranking de investimento em relação ao PIB, sendo o 28º, com 1,2% (Coreia do Sul lidera, com 4,3%). Com a falta de perspectiva para investimentos nos próximos anos, a tendência é que o país caia mais no ranking”.
 
Nader também reforça que é preciso lutar para descontigenciamento dos recursos de educação e do FNTC. “A Emenda 95 é uma aberração para a ciência e tecnologia. O governo disse na época que era por causa do mercado, mas que mercado? O especulativo? O baseado na mão de obra desqualificada?”, disse.
Além do baixo orçamento, as privatizações de empresas nacionais também podem causar impacto negativo na ciência e tecnologia nacional. Para Bacelar é preciso lutar contra o processo de privatizações. “Essa é a entrega de nossa tecnologia e nossas riquezas na mão de estrangeiros. O novo governo não está respeitando o Marco Regulatório do Petróleo, leiloando a empresa e não investindo em nenhuma tecnologia própria”.
Além da falta da tecnologia, a privatização pode trazer novas tragédias. “Se comparar a Petrobrás, que busca novas tecnologias e trouxe prêmios para o Brasil, a Vale depois de privatizada só trouxe a morte. A empresa privada tem apenas o interesse do lucro. Temos que retomar nossa campanha a Vale é Nossa e fazer o plebiscito. Também é preciso fazer um alerta: se privatizar a Petrobrás, além de redução no investimento de educação e tecnologia, teremos mais desastres”, comentou Moisés Borges, que também apresentou a situação dos atingidos em Mariana e, agora, Brumadinho.

Escreva um Comentário