Por Ana Clara Franco, Stella Gontijo, Maria Clara Arruda *

É tempo de resistência. Para nós, mulheres, resistir é um verbo diário, que está marcado em nossa história – nossas conquistas, nossa luta, nossa revolução. Para as mulheres, a resistência está diretamente ligada à liberdade. Nós resistimos diariamente à organização patriarcal, LBTfóbica e racista que nos tira direitos, ataca os nossos corpos, nossos territórios e silencia as nossas vozes.

Historicamente nos forjamos na resistência e muitas de nós deram passos juntas de braços dados para construir uma sociedade em que os valores feministas e libertários pudessem ser ecoados. Hoje, em um 8 de Março marcado por uma conjuntura que tira vários direitos e ataca diretamente o povo brasileiro e latino-americano, nós mulheres, estudantes, pesquisadoras e cientistas, nos colocamos nas ruas de todo país para denunciar os ataques neoliberais e conservadores que organizam o Estado e a política machista de Jair Bolsonaro.

O ano de 2019 se inicia com muita luta para as mulheres brasileiras. Denunciamos a Reforma da Previdência elencando que ela afeta diretamente a vida das mulheres através da organização sexual do trabalho, na qual somos a maioria entre as pessoas desempregadas ou na informalidade e ainda somos as principais responsáveis pelo trabalho doméstico. Tal realidade amplia a rotatividade das mulheres no mercado de trabalho, dificultando nosso tempo e nossa contribuição previdenciária.

A dissolução de importantes políticas de governo, como a Secretaria de Diversidade no MEC e o Ministério do Trabalho, bem como a indicação da ministra Damares Alves com sua pauta conservadora para ocupar a elaboração da política para mulheres, mostram que não apenas a economia, mas todo o projeto de país desse governo retira o que conquistamos, ameaça diretamente a nossa luta e a nossa construção de sociedade.

É preciso que denunciemos incansavelmente toda e qualquer proposta de Lei da Mordaça que tente silenciar e impedir uma educação emancipadora para a nossa juventude. O projeto educacional que acreditamos é laico e não cabe qualquer cerceamento de expressão de nossas educadoras e educadores, de quem luta por uma escola e uma universidade livres do machismo, do racismo e da LGBTfobia, com mais investimentos públicos e não com pautas impostas pelo governo federal. Nesse sentido, é preciso garantirmos também uma produção acadêmica e científica sem estar a serviço de um projeto de governo e do capital privado, para o que é fundamental o financiamento de bolsas por parte do Estado.

É preciso que o movimento de mulheres contra Bolsonaro, que ganhou peso e voz nas ruas com o grito de “Ele Não” e que denunciou os seus propósitos, seja ecoado neste 8 de Março em todo canto do país para dizer que esse governo nos ataca, nos cerceia e nos tira direitos diariamente.

A Mangueira já cantou para o mundo todo em seu samba-enredo: “Brasil, o teu nome é Dandara”. Em todo país as mulheres vão perguntar: Quem matou Marielle Franco? Seremos resistência por Marielle e por todas as mulheres que foram silenciadas por denunciar as mazelas sociais e a desigualdade que são estruturais nesse país. Um ano depois, fazemos luta e nos mobilizamos para denunciar a morte de Marielle.

Neste 8 de Março, dia histórico para o movimento feminista no mundo todo, é dia de dizer que não nos silenciamos frente à violência contra as mulheres e dia de colocar nas ruas e nas redes pautas tão importantes para a construção do nosso movimento, como a luta pela legalização do aborto e por uma educação emancipadora. Seremos resistência!

A história que as mulheres contam tem nas nossas linhas a coragem de quem ousa lutar para transformar a sociedade, de quem se coloca na linha de frente contra projetos capitalistas que colocam o lucro sobre o valor da vida. A construção do feminismo é uma construção em movimento, em todo canto, inclusive nos espaços e instituições educacionais, acadêmicas e científicas. Nós, mulheres, nos encontramos neste 8 de Março nas ruas, no movimento, na resistência e na luta. Por Marielle, toda uma vida de luta.

Ana Clara Franco é Diretora de Mulheres da UNE
Maria Clara Arruda é Diretora de Mulheres da UBES
Stella Gontijo é Diretora de Mulheres da ANPG

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