A mesa redonda “Inovação e pós-graduação: um novo paradigma para a pesquisa”, organizada pela ANPG na última quarta-feira (6) durante a 6ª Feira de Inovação Tecnológica (INOVATEC), em Belo Horizonte, contou com presenças ilustres: o presidente Conselho Federal das Fundações de Amparo à Pesquisa (CONFAP), Mário Borges Neto, o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),  Clélio Campolina, o diretor da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) Flávio Roscoe, e com o Secretário-adjunto de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais (SECTES), Evaldo Vilela.  

Da esquerda para a direita: Mário Borges (CONFAP e FAPEMIG), Flávio Roscoe (FIEMG), reitor Clélio Campolina (UFMG), Elisangela Lizardo (ANPG) e Evaldo Vilela (SECTES)
 
Tratando da relação entre a produção econômica nacional e o desenvolvimento científico e tecnológico de um país, o presidente do CONFAP pontuou a necessidade de investimentos específicos em Inovação para garantir melhor posição do Brasil no que diz respeito a patentes e à geração de bens de consumo com valor tecnológico agregado. Borges defendeu também mais investimentos em educação, a priorização de tecnologia para inovação e o fortalecimento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), para que seja robusto e vislumbre a pós-graduação como setor estratégico, a partir de uma visão sistêmica institucional e estatal. 
 
O presidente da FAPEMIG apresentou o Programa Mineiro de Capacitação Docente (PMCD)
Ainda, pontuando as políticas desenvolvidas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), da qual Mário Borges também é presidente, ele ponderou que a pós-graduação, relacionada com o setor empresarial brasileiro, é imprescindível para a participação do país no mercado tecnológico internacional.
 
Já o reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),  Clélio Campolina, afirmou que a Inovação é o motor para o desenvolvimento do país e para a resolução de desigualdades regionais. Campolina também ressaltou que a Inovação se relaciona com a dimensão política, e citou a energia atômica como exemplo de uma inovação tecnológica que sofre barreiras. 
 
Universidade laica
 
Acerca da relação entre Universidade e Empresa, Campolina resgatou o caráter laico e apartidário que constitui o papel da universidade, ressaltando que ela não visa às necessidades das empresas, mas sim à formação de recursos humanos. Isso resulta em uma encruzilhada entre pensamento livre e os objetivos de mercado, diante da dificuldade das empresas absorverem os pesquisadores com pós-graduação. O reitor ainda disse que, apesar do crescimento da empresa nacional em Minas Gerais ter sido grande nos últimos anos, ainda é preciso fortalecer essa relação conjunta.
 
O público que participou da mesa era formado por estudantes da graduação e da pós, mobilizados pela ANPG em conjunto com a União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG) e o Diretório Central dos Estudantes da UFMG (DCE-UFMG).
 
O diretor da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), também presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis de Malhas no Estado de Minas Gerais (SINDIMALHAS/MG), Flávio Roscoe, pregou que a mentalidade do acadêmico deve ser alterada a partir da graduação, visto que sua formação se volta à academia e não ao setor empresarial. Roscoe disse que a grade de ensino da graduação também deve ser mudada, pois a universidade deve contemplar, com maior intensidade, o mercado no ciclo da formação acadêmica, e assim inovar, dando também base à atuação do acadêmico com vistas ao mercado e à inovação nesse âmbito. Ainda acrescentou que o diálogo entre Estado, Universidade e Empresa deve ser incentivado, com o intuito de favorecer a todos.
 
Secretário-adjunto de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado de Minas Gerais, Evaldo Vilela (SECTES) apontou como pressuposto indispensável à produção científica nacional a necessidade da sistematização do método científico. Assim, as pesquisas de qualidade em pappers e patentes são fatores indispensáveis ao sucesso da P&D no país, que precisa dialogar tanto com a Academia quanto com as empresas privadas. Vilela ressaltou também que os alunos da pós-graduação precisam de condições objetivas para a Inovação, e disse ainda que é necessário levar em conta o fato de que o mundo adentra um novo paradigma, onde a economia do conhecimento é direcionada à relação entre capital e trabalho.
 
Elisangela Lizardo, entre o reitor Clélio Campolina e Evaldo Vilela
Opinião da ANPG
 
Para a presidente da ANPG, Elisangela Lizardo, o debate provou que “o país ainda tem desafios grandiosos na conquista de seu desenvolvimento soberano, como o estabelecimento de uma relação entre o setor produtivo e a Academia que, ao mesmo tempo, garanta o livre pensamento , a livre pesquisa, e tenha condições de dar resposta às grandes demandas sociais, incluída aí a necessidade do Brasil ter maior destaque no cenário da prdução tecnológica internacional”.
 
 
De Belo Horizonte, Thiago Oliveira Custódio e Vasco Rodrigo Rodrigues
Edição: Juliana Cruz e Luana Bonone
 
 

 

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