Durante o congresso, membros de APGS da UFC, ITA e UFSCAR avaliaram o encontro e principais pontos debatidos

Durante os dias 3 a 5 de maio a UNIFESP, em São Paulo, recebeu o 23º CNPG, que contou com mais de 2 mil estudantes de diversos estados do país para debater o desenvolvimento do Brasil, educação, ciência e tecnologia e definir a plataforma de atuação da entidade para os próximos 2 anos.

O congresso foi uma grande demonstração da politização crescente do movimento de pós-graduandos no Brasil. “Há um aprofundamento das discussões políticas de discussões estruturais dos problemas que nos afetam no dia a dia e esse é o ponto forte do encontro”, avaliou Leonardo Ferreira Reis, 25, mestrando em engenharia de produção e membro da APG da UFSCAR.

“Eu entendo esse congresso não como uma política estudantil, mas como uma política cientifica. Os cientistas estão entendendo a necessidade de se organizar politicamente para que as políticas de valorização e incentivo à ciência sejam criadas e implementadas”, concordou o mato-grossense Hiure Queiroz, pós-graduando em física do ITA.

Pós-graduando como profissional

“Nós, pós-graduandos, temos deveres muito claros, porém não sabemos nossos direitos”. Essa afirmação permeou o debate em torno de como o pós-graduando é visto no Brasil. “Quando lutamos pelo reajuste das bolsas, a questão não é obter assistência estudantil para um estudante completar seus estudos, mas, sim, garantir assistência para que seja realizada  pesquisa no país. Pesquisa. Essa, que é um dos pilares para o desenvolvimento do mesmo”, afirmou Hiure.

Leonardo foi além: “Eu considero o pós-graduando como um profissional. O pós- graduando está em formação, mas é um profissional que trabalha, produz, publica. O doutorando tem que inovar como pesquisador com uma carga de conhecimento profundo”. Nesse sentido, uma das questões levantadas pelos debatedores do congresso, foi, por exemplo, por que os anos de mestrado e doutorado não são contabilizados no cálculo dos anos de aposentadoria.

Reajuste das bolsas e valorização da ciência e tecnologia

Durante o congresso, o debate em torno do reajuste das bolsas foi central. A ANPG tem uma forte campanha por um reajuste de 40% e, no 23º CNPG, alcançou uma importante vitória nesse sentido: o presidente do CNPq anunciou um reajuste de 10%.

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“Esse primeiro aumento é a ponta de iceberg. A campanha parte do ponto de vista de que o Brasil é uma nação que quer ser soberana em Ciência, Tecnologia e inovação. Precisamos ter uma política de valorização de tudo isso e entender o papel do pós-graduando como um protagonista nesse desenvolvimento”, avaliou Cíntia Eufrásio, mestranda em ecologia e recursos naturais da UFC .

Leonardo avalia o reajuste alcançado como uma vitória importante, porém um valor que ainda está aquém das necessidades do setor no país. “ Há uma demanda clara de 40% e essa demanda é mantida. Vejo essa sinalização pelo reajuste como uma vitória no sentido de diálogo”, explicou.

“O pós-graduando é um protagonista do desenvolvimento do país. Precisamos entender isso, fortalecer cada vez mais o movimento e o debate de valorização da ciência para construir uma política constante e consistente”, finalizou Cíntia.

 

Camila Hungria, de São Paulo.

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