De acordo com uma pesquisadora que não quis se identificar, alguns bolsitas já foram expulsos das casas onde moram por não conseguirem pagar o aluguel em dias(Divulgação )
Ao todo, segundo os manifestantes, seis mil pesquisadores estão sendo prejudicados com o atraso, alguns desenvolvem suas pesquisas em outros estados do Brasil
Na tarde desta quinta-feira (8), 15 bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) fizeram um protesto em frente da sede da instituição, localizada na rua Sobradinho, 100, bairro Flores, Zona Centro-Sul, para o pagamento da bolsa atrasada do mês de setembro. Ao todo, segundo os manifestantes, seis mil pesquisadores estão sendo prejudicados com o atraso, alguns desenvolvem suas pesquisas em outros estados do Brasil.
“Não pagaram nenhum das bolsas, nem de PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica), de mestrado, de doutorado, de graduação… Dessa vez era para termos recebido no último dia útil de setembro. A Fapeam nós deu o prazo de cinco dias para pagar, mas não pagaram. Sempre dão um prazo e não pagam, dão outro e também não pagam. Essa é a terceira vez nesse ano que atrasam a bolsa”, disse Natália Wagner, 24, bolsista de mestrado.
De acordo com uma pesquisadora que não quis se identificar, alguns bolsitas já foram expulsos das casas onde moram por não conseguirem pagar o aluguel em dia.
“Nós vivemos somente da bolsa, então está complicado. Há bolsistas morando em outros Estados e estão precisando desse repasse, tanto a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda), quanto a Fapeam e a Seplan (Secretaria de Estado de Planejamento) dão  informações vagas. Ficam nós dando prazos e não cumprem nada”, declarou Celso Torres, bolsita de doutorado.
Posicionamento em breve
A reunião na sede da Fapeam foi com o diretor administrativo-financeiro da instituição, André de Santa Maria Bindá, que garantiu que terá em breve um pronunciamento oficial e repassará aos bolsistas.
“O que posso garantir é que vocês terão um pronunciamento oficial do Thomaz Nogueira (secretário da Seplan) e do Afonso Lobo (titular da Secretaria da Fazenda – Sefaz). Eles vão se pronunciar ainda hoje. Essa foi a informação que meu chefe (René Levy Aguiar, presidente da Fapeam) me passou”, declaro Bindá, em áudio gravado pelos pesquisadores.
“Diante desse comunicado oficial, nós vamos passar um e-mail com a previsão da data de pagamento e o planejamento. O meu compromisso é receber a informação e repassá-la”, acrescentou.
Mais protesto
Após o protesto na Fapeam, os manifestantes seguiram para a sede da Seplan, localizada na rua Major Gabriel, 1.870, Praça 14 de Janeiro, Zona Centro-Sul. No local, o grupo foi atendido pelo chefe de Departamento de Administração e Finanças, Gilson Nogueira, o qual, segundo informações dos manifestantes, disse que a Fapeam tem total autonomia para estabelecer o seu orçamento.
“O que entendemos é que o problema está entre a Fapeam e a Sefaz porque a Fapeam não colocou como prioridade o pagamento dos bolsistas. Ligamos ontem (quarta-feira, 7) para a Sefaz e fomos informados que não havia nenhuma ordem de pagamento direcionada aos bolsistas”, declarou uma manifestante que não quis se identificar.
Crise financeira
Na quarta-feira (7), o secretário da Fazenda, Afonso Lobo, disse que o Estado passa por dificuldades financeiras por conta da crise.  “Como você bem sabe, nós estamos atravessando uma grave crise econômica. Nesse instante, 15 estados estão atrasando salários, nós aqui estamos com os salários em dias, mas, eventualmente, teremos atrasos de dias em alguns tipos de pagamentos por conta da frustração de receitas”.
Os manifestantes entraram com um processo no Ministério Público Estadual e na Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
A ANPG entrou em contato com a FAPEAM e com a SEFAZ e obteve a mesma informação, de que não há verba para ser repassada. Segundo o atendimento da Secretaria da Fazenda, o órgão só poderá, de fato, informar datas de pagamento a partir do dia 15. Foi enviado um ofício cobrando explicações e a resolução do impasse com urgência.
Fonte: A Crítica e ANPG

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