A Associação de Pós-Graduandos da Pontífica Universidade Católica do Estado de Minas Gerais (APG/PUC-MG) lançou uma carta aberta sobre o processo de demissão em massa dos professores da instituição. De acordo com a nota, trata-se de medidas que visam a redução de custo, em detrimento da qualidade do ensino. As demissões têm sido promovidas com critérios pouco claros, sem diálogo com a classe. 
 
Leia abaixo a íntegra do texto:
 
 
A PUC Minas é uma instituição de ensino respeitada, com mais de meio século de existência. É a maior Universidade Católica do mundo, a maior Universidade privada do Estado de Minas Gerais, está no ranking das maiores e mais compromissadas Universidades privadas do Brasil.
 
Entre os compromissos assumidos pela PUC Minas com a sociedade estão: a promoção do desenvolvimento humano e social, de modo a contribuir para a formação humanista e científica de profissionais competentes, que tenha como base valores da ética e da solidariedade e compromisso com o bem comum, mediante a produção e disseminação das ciências, das artes e da cultura, a interdisciplinaridade e a integração entre a Universidade e a sociedade.
 
Entre os princípios da Universidade estão: a promoção do bem comum e da dignidade da pessoa humana; o compromisso com a inclusão e a justiça social; integração e pluralismo na articulação e nas concepções de ensino, pesquisa e extensão, respeitados os projetos pedagógicos e as diretrizes fixadas pelos órgãos de deliberação superior e a valorização do mérito acadêmico.
O nascimento da PUC Minas coincide com o reconhecimento de que a educação é um bem comum, que deve ser partilhado por todos (as), um direito que está no rol daqueles que são fundamentais a qualquer ser humano.
 
Essa concepção, infelizmente, foi quebrada na década de 1990 e o ensino universitário passou a ser compreendido, em todo o mundo ocidental, como mercadoria e instrumento para a formação de mão-de-obra, desligado dos compromissos éticos e morais.
 
A PUC Minas foi um importante locus de resistência à essa perversa lógica e muito contribuiu para que hoje no Brasil encarássemos a educação sob o prisma republicano, ou seja, instrumento de formação de consciência cidadã, que propicia a consolidação e radicalização do sistema democrático.
Mas, infelizmente, contrapondo-se à toda sua história e ao atual momento brasileiro, a PUC Minas retrocede. No ano de 2012, a comunidade acadêmica (docentes, discentes, corpo administrativo) está sendo surpreendida pela adoção, pela PUC Minas, de técnicas de gestão de recursos humanos utilizadas nos setores industriais.
 
Isso tem significado a demissão em massa de professores e empregados, com objetivo de redução de custos, sem qualquer preocupação com os aspectos humanísticos e acadêmicos.
 
Na história da PUC Minas esse é o primeiro momento em que se visualiza tais práticas tão desrespeitosas com os direitos humanos e o compromisso com a qualidade acadêmica.
 
As demissões tem sido promovidas com critérios pouco claros, sem diálogo com o Sindicato, abrangendo professores e empregados com longo tempo de relação com a Universidade. Ao adotar essa prática, a PUC Minas deixa de avaliar que a pesquisa acadêmica, de qualidade, se desenvolve em ambientes de cooperação e solidariedade e que a pesquisa demanda tempo e exige a participação de pesquisadores experientes, que se encontram no auge de sua produção intelectual.
 
Jovialidade e experiência, conjugadas, são elementos essenciais para a construção do saber. A lógica industrial não serve para instituições de ensino que possuem o compromisso com a ética e a construção do conhecimento.
 
Além disso, é importante salientar que a educação é uma concessão pública e que a PUC Minas é uma entidade filantrópica que goza de isenções fiscais por tal fato.
 
No ano de 2011, a PUC Minas obteve 50 milhões de lucro, o que, inclusive, quebra sua filantropia. Mesmo assim promoveu aumento das mensalidades, o que gerou o movimento de reação dos estudantes que se expressou no “Eu sambo no Coreu”. 
 
Utilizando o argumento de que os estudantes não aceitaram o aumento das mensalidades, a PUC Minas busca agora destruir a qualidade de seu ensino e pesquisa, algo que o corpo discente não pode aceitar.
 
Assim, a APG PUC Minas- Associação de Pós-Graduandos da PUC Minas vem, a público, manifestar todo seu apoio e solidariedade ao corpo docente e administrativo da PUC Minas, repudiando tal atitude, se colocando à disposição para efetuar mobilizações e discussões e solicitando o apoio de outras entidades do mundo do trabalho, do movimento estudantil e de outros segmentos dos movimentos sociais.
 
Educação não é mercadoria! Não à lógica industrial na Universidade!
 
APG PUC Minas

 

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