O presente manifesto foi elaborado e é divulgado por pesquisadores e estudantes da Universidade de São Paulo (USP). Diversas entidades dos movimentos sociias também já se manifestaram em solidariedade aos estudantes que participaram da ocupação, independente de concordarem ou não com a ocupação em si ou com a sua pauta. A ANPG também compartilha da opinião de repúdio a qualquer ato de violência policial em repressão a manifestações políticas.

Confira o manifesto:
 
No dia 08 de novembro de 2011, vários grupamentos da polícia militar  realizaram uma incursão violenta na Universidade de São Paulo, atendendo ao  pedido de reintegração de posse requisitado pela reitoria e deferido pela  Justiça. Durante essa ação, a moradia estudantil (CRUSP) foi sitiada com o uso de gás lacrimogênio e um enorme aparato policial. Paralelamente, as tropas da polícia levaram a cabo a desocupação do prédio da reitoria,  impedindo que a imprensa acompanhasse os momentos decisivos da operação. Por fim, 73 estudantes foram presos, colocados nos ônibus da polícia, e encaminhados para o 91º DP, onde permaneceram retidos nos veículos, em condições precárias, por várias horas.
 
Ao contrário do que tem sido propagandeado pela grande mídia, a crise da USP, que culminou com essa brutal ocupação militar, não tem relação direta com a defesa ou proibição do uso de drogas no campus. Na verdade, o que está em jogo é a incapacidade das autoritárias estruturas de poder da universidade de admitir conflitos e permitir a efetiva participação da comunidade acadêmica nas decisões fundamentais da instituição. Essas estruturas revelam a permanência na USP de dispositivos de poder forjados pela ditadura militar, entre os quais: a inexistência de eleições representativas para Reitor, a ingerência do Governo estadual nesse processo de escolha e a não-revogação do anacrônico regimento disciplinar de 1972.
 
Valendo-se desta estrutura, o atual reitor, não por acaso laureado pela Ditadura Militar, João Grandino Rodas, nos diversos cargos que ocupou, tem adotado medidas violentas: processos administrativos contra estudantes e funcionários, revistas policiais infundadas e recorrentes nos corredores das unidades e centros acadêmicos, vigilância sobre participantes de manifestações e intimidação generalizada.
 
Este problema não é um privilégio da USP. Tirando proveito do sentimento geral de insegurança, cuidadosamente manipulado, o Governo do Estado cerceia direitos civis fundamentais de toda sociedade. Para tanto, vale-se da polícia militar, ela própria uma instituição incompatível com o Estado Democrático de Direito, como instrumento de repressão a movimentos sociais, aos moradores da periferia, às ocupações de moradias, aos trabalhadores informais, entre outros.
 
Por tudo isso, nós, pesquisadores da Universidade de São Paulo, alunos de pós-graduação, mestres e doutores, repudiamos o fato de que a polícia militar ocupe, ou melhor, invada os espaços da política, na Universidade e na sociedade como um todo.
 
Assinam:
 
Júlio Miranda Canhada – Doutorando em Filosofia-USP
Fábio Luis Ferreira Nóbrega Franci – Mestrando da Filosofia-USP
Henrique Pereira Monteiro – Doutorando em Filosofia-USP
Silvia Viana Rodrigues – Doutora em Sociologia-USP
Fernanda Elias Zaccarelli Salgueiro – Graduanda Filosofia-USP
Georgia Christ Sarris – Doutoranda Filosofia-USP
Gilberto Tedeia – Doutor em Filosofia-USP
Anderson Gonçalves Santos – Doutor em Filosofia-USP
Bianca Barbosa Chizzolini – Mestranda em Antropologia-USP
Maria Caramez Carlotto – Doutoranda em Sociologia-USP
Eduardo Altheman Camargo Santos – Mestrando em Sociologia-USP
Daniel Santos Garroux – Mestrando em Letras-USP
Nicolau Bruno de Almeida Leonel – Doutorando em Cinema-USP
Ana Paula SAlviatti Bonuccelli – Mestranda em História – USP
Anderson Aparecido Lima da Silva – Mestrando em Filosofia – USP
José Calixto Kahil Cohn – Mestrando em Filosofia – USP
Antonio Fernando Longo Vidal Filho – Mestrando em Filosofia –USP
Philippe Freitas – Mestrando em Música – UNESP
Bruna Della Torre de Carvalho Lima – Mestranda em Antropologia – USP
Lucas Amaral de Oliveira – Programa de Pós Graduação em Sociologia – USP
Bruna Nunes da Costa Triana – Programa de Pós-Graduação em Antropologia –USP
José César de Magalhãs Jr. – Doutorando em Sociologia – USP
Eduardo Orsilini Fernandes – Mestrando em Filosofia USP
Weslei Estradiote Rodrigues – Mestrando em Antropologia – USP
Bruno de Carvalho Rodrigues de Freitas – Graduando em Filosofia – USP
Camila Gui Rosatti – Graduando em Ciências Sociais – USP
Martha GAbrielly Coletto Costa – mestranda em Filosofia
Rafael Garganp – Mestrando em Filosofia – USP
Antonio David – Mestrando em Filosofia – USP
Pedro Alonso Amaral Falcão – Mestrando em Filosofia
Bruna Coelho – Mestranda em Filosofia
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