Há mais de 20 dias, os professores das universidades federais deflagraram a greve que vem atraindo outros trabalhadores e também estudantes universitários. Na terça-feira (5), mais de 400 estudantes se reuniram no Auditório de Matemática e Estatística localizado no campus Goiânia da Universidade Federal de Goiás (UFG), para declarar apoio à greve dos professores.

A greve dos professores das instituições federais, que atinge 51 unidades em todo país (47 universidades e quatro dos 40 institutos ou centros federais de educação tecnológica) deve ser ampliada a partir desta segunda-feira (11) com a adesão de servidores. Segundo a Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que reúne 37 sindicatos, o movimento crescerá devido ao impasse nas negociações com o governo sobre reajuste salarial, recebimento de gratificações e reestruturação de carreiras.

Estudantes de 19 das 46 universidades também entraram em greve para pedir melhores condições de ensino. Segundo a Andes (sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), a greve afeta mais de 1 milhão de alunos.

Cerca de 2,5 mil servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) entram em greve por tempo indeterminado a partir de hoje. A categoria pede reajuste salarial e correção retroativa a 2007. A medida foi aprovada na semana passada por maioria em assembleia.

O Ministério da Educação considera a paralisação precipitada e acredita que há tempo suficiente para alterações no Projeto de Lei Orçamentária para 2013, que deve ser fechado até 31 de agosto. O Ministério do Planejamento ainda não se manifestou oficialmente sobre o indicativo de greve geral dos servidores públicos federais.

Movimentação dos pós-graduandos

No dia 22 de maio, a Associação dos Pós-Graduandos da UFLA (Universidade Federal de Lavras) realizou Assembleia Geral no Anfiteatro da Biblioteca Universitária com participação de quase 40% dos discentes regularmente matriculados na pós-graduação, a fim de discutir a questão da greve docente. A maioria dos presentes aprovou o apoio à greve dos professores e solidariedade aos seus ideais, assim como apoiar o movimento de greve nas eventuais formas de protesto que venham a ocorrer, mas “sem o compromisso de paralisar as atividades de pesquisa ou boicotar qualquer atividade proposta por docentes não aderentes à greve”. Durante a assembleia, a APG debateu as consequências do movimento, especialmente para os pós-graduandos, e definiu algumas reivindicações.

As principais solicitações dos pós-graduandos foram o funcionamento do Restaurante Universitário durante a paralisação e a disponibilização de alojamento para a pós-graduação. A manutenção desses serviços se faz necessária porque os pós-graduandos permanecem com atividades de pesquisa no campus, mesmo sem aulas. A APG também solicitou a reestruturação dos horários dos ônibus internos da UFLA e apoio dos setores da Universidade a mobilizações promovidas pela pós-graduação.

No próximo dia 13, quarta-feira, a APG da UFBA (Universidade Federal da Bahia) realizará uma nova Assembleia Geral. A greve dos docentes está na pauta. O fórum acontece às 18h, no Auditório 1 – Faculdade de Educação/UFBA (Vale do Canela).

APG UFPEAPG UFSJ , APG UFBA e o Fórum de Pós-Graduandos da UFPR já aprovaram moções de apoio.

Os estudantes da UFRJ, em assembleia que reuniu mais de 2 mil pessoas na terça-feira, 29 de maio, também aderiram à greve. Desde o dia 31 de maio os pós-graduandos da UFF (Universidade Federal Fluminense) também entraram em greve. Na pauta específica de reivindicações, estão melhores condições de infraestrutura; reajuste de 40% das bolsas de mestrado e doutorado; fim do financiamento privado a instituições públicas; fim dos cursos pagos na UFF; novos critérios de avaliação das instituições de fomento e apoio à pesquisa; suspensão imediata do calendário da CAPES, CNPq e FAPERJ no período de greve e dilatação da bolsa incorporando o tempo da greve nos prazos ordinários.A próxima reunião do comando de greve acontece na quarta (13), às 18h no Chalé da Arquitetura (Campus Praia Vermelha).

Da Redação com informações de agências e colaboração de Alessandra Farias Millezi – Coordenadora Geral da Gestão “Participação e Compromisso” APG/UFLA – 2011-2012.

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