Mesa do 44º CONAP denunciou os cortes previstos para o ano que vem; participantes reiteram a importância de mobilização para barrá-los

 

Um alerta sobre panorama da conjuntura da crise educacional e da ciência que o país atravessa e os próximos passos. Esse foi o tema discutido na mesa “Colapso da Ciência e da educação: como superar a crise de financiamento”,  dentro do 44º CONAP e que trouxe também um grande chamado à mobilização para barrar os cortes previstos  no PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2022 para essas áreas.

Por conta das emendas do chamado “Orçamento Secreto”, há uma previsão de redução de quase R$ 300 milhões nas universidades federais, R$ 126 milhões do MCTI(Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) e mais de R$ 90 milhões nas agências de fomento a ciência, sendo quase R$ 55 milhões referentes à bolsas.

Esse foram os dados que Luiz Davidovich, presidente da ABC (Academia Brasileira de Ciências), trouxe ao debate.

“Urgente uma grande mobilização nas redes, ruas e pressionando os parlamentares a não aprovarem essa devastação. É importante uma revolução radical na educação, em todos os níveis”.

Além disso, Davidovich também alertou sobre a falta de perspectivas futuras ao país, com a instabilidade na balança comercial e a dependência no país na venda de commodities agrícolas. “O país precisa produzir tecnologia, transformar sua indústria, promover uma inovação disruptiva, e isso passa pelo fortalecimento das universidades e da ciência”, concluiu. 

Soraia Smili, ex-reitora da Unifesp e coordenadora do Instituto Sou Ciência, avaliou os impactos negativos que a queda nos investimentos em ciência tem sob o Brasil 

Com os dados apresentados, ficou evidente que os países com mais mortes por Covid-19 são também aqueles que  tem a maior queda no PIB

“ Esse é um dos efeitos devastadores do negacionismo à Ciência. O Brasil teve um PIB  negativo em 2021, diferente de outros países, que priorizaram a ciência, o desenvolvimento social e econômico com estímulos fiscais e de liquidez”.

Smili também alerta sobre a crescente intervenção do presidente Jair Bolsonaro na escolha dos reitores das universidades federais. “Hoje, 36% dos reitores nomeados não foram eleitos pela comunidade acadêmica, e isso reverbera na autonomia das instituições  e sua atuação em prol da ciência.

A pesquisadora também ressaltou as lições aprendidas que ações de saúde devem ser pensadas coletivamente, em sociedade e pensando no meio ambiente, na sustentabilidade e como um bem público.

“A reposição do orçamento e mais investimentos se dá pelo parlamento, mas existe uma urgência em disputar a sociedade sobre a importância da Ciência”.

 

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