Como a falta do PNPG e das avaliações da CAPES criam um vácuo na ciência

 

Nesse sábado, 11.12, o segundo dia do 44º CONAP (Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos), teve início um importante debate sobre a conjuntura da Ciência no Brasil, além de trazer informações sobre a crise institucional da CAPES .

A primeira participação foi da Helena Nader, vice-presidenta da ABC (Academia Brasileira de Ciência), que ressaltou a importância da retomada das avaliações de cursos pela CAPES.

 

“Por meio da avaliação, entendemos nossas fragilidades e potências e podemos direcionar para os acertos. Ela é um direito da sociedade, que deve saber como estão as condições do que ela sustenta”, afirmou.

 

E ainda fez um apelo para o retorno dos coordenadores e consultores aos seus cargos, após os pedidos de exoneração, para que a avaliação dos cursos possam acontecer. “Uma equipe nova, sem a experiência e qualificação desse grupo que já exercia as avaliações, não funcionará adequadamente”, ressaltou.

 

A professora Adelaide Faljoni Alário, coordenadora da CAPES,  também ressaltou a importância do retorno desses integrantes da comissão. “É preciso fazer um esforço coletivo, entre os coordenadores e a presidência da agência para que gente possa dar continuidade no trabalho que já vinha sendo construído  há quatro anos”.

 

A Construção do Plano Nacional 

A professora também apresentou a trajetória dos últimos seis PNPG´s ( Plano Nacional de Pós-Graduação) e ressaltou a carência que a Ciência brasileira tem sem um direcionamento. 

“ Nesse ano não se tem discutido nada sobre o sétimo Plano.  Estamos em um vácuo. E reitero que sem planejamento nada funciona, é uma manada sem direção. É preciso que ele seja construído e conduzido como um programa de estado”.

 

 Para Jorge Audy, relator da Comissão de avaliação do VI PNPG, é preciso  recompor com urgência a comissão do próximo plano. “Esse é o momento que mais precisamos retomar o plano, uma vez que ele pensa o futuro da Ciência, dentro dos contextos que atravessamos e dos desafios exigidos, como a importância das ações afirmativas para equidade na pós graduação e frente a crise sanitária e social”.

Fernanda Melchionna, deputada federal  (PSOL-RS), avaliou que o ponto central do próximo PNPG é definir o seu desafio estratégico.

“A Ciencia & Tecnologia precisam estar a serviço do combate das desigualdades do país, sem que produção dos pós-graduandos seja tratada como propriedade privada, uma vez que, com o estrangulamento dos recursos, essa pressão pela mercantilização cresce”.

Roberio Rodrigues, vice presidente da FOPROF (Fórum Nacional de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação),  enfatizou que existe possibilidades de recompor o orçamento, basta que o parlamento priorize essas áreas, entendo sua importância para o desenvolvimento.

“Muito se fala na fuga de cérebros do país, mas se o Brasil seguir nessa toada nem cérebro teremos mais”, alertou. 

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