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Mães, pais e funcionários realizaram nesta quarta-feira (11) o bloco carnavalesco “Oh abre vagas, que eu quero entrar” em protesto contra o fechamento de vagas na creche da USP (Universidade de São Paulo). O ato aconteceu no campus Butantã, na zona oeste de São Paulo. Estiveram presentes no ato as representantes da APG USP-Capital, Mariana Moura e Natalia Dias, e o diretor da ANPG, Philipe Pessoa.

Para Mariana, o protesto foi válido para mostrar à USP a importância das creches: “[as creches] além de atender aos filhos dos funcionários, dos estudantes e da comunidade, são, hoje, centros de pesquisa e referência nas áreas de educação, fonoaudiologia e nutrição infantil”, diz.

Segundo os pais, cinco unidades da creche informaram que não vão receber novos alunos para o ano letivo de 2015. Eles foram informados de que o corte foi necessário depois que 19 funcionários das creches aderiram ao PIDV (Programa de Incentivo à Demissão Voluntária).

“A não abertura de novas vagas, em função da redução do quadro de funcionários, afeta também a permanência estudantil de pós-graduandas e pós-graduandos que dependem deste serviço para dedicar-se às atividades de suas áreas”, afirma Natalia Dias.

Em alguns casos, o processo seletivo chegou a ser realizado, mas em janeiro as famílias foram informadas de que cinco unidades da creche não abririam vagas este ano. São elas: a central, a oeste, a da Saúde Pública, a do campus São Carlos e a do campus Ribeirão Preto.

“Eu participei de um processo, levei toda a documentação, mas, faltando quatro dias para a divulgação do resultado, a gente recebeu um e-mail dizendo que não ia ter profissional para atender as crianças por causa do plano de demissão voluntária”, afirma Antonio Glaudstone Pereira, que tem um filho de quatro anos e é funcionário do Cepeusp (Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo).

“Estou pagando uma creche, enquanto não tem vaga. O problema é que o auxílio-creche que eles oferecem não é suficiente, não cobre o que o mercado está pedindo”, diz.

Vivian Castro, chefe do serviço da comissão de cooperação internacional da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), também inscreveu o seu filho de dois anos e foi informada pela SAS (Superintendência de Assistência Social) que as creches da USP não teriam novas vagas.

“É muito frustrante, a gente cria uma expectativa, não vai atrás de outras creches, porque sabe que a creche da USP é muito boa, é um modelo”, diz. “Agora o meu filho está ficando com a minha mãe, mas ela mora em Cotia e eu em Pinheiros. Fico indo e vindo todos os dias”, afirma.

O PIDV começou em novembro do ano passado e tinha por objetivo uma redução na folha de pagamento de 3,25% a 6,5%. A medida foi tomada depois que a USP anunciou que gasta 105% do orçamento com o pagamento dos funcionários.

“A não abertura de vagas é reflexo do plano de demissões e de uma visão de que a assistência estudantil não compete à universidade. É preciso combater essa ideia”, finaliza Pessoa.

Da redação com informações do UOL Educação

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