O movimento dos pós-graduandos e pós-graduandas do Brasil deverá intensificar a luta a favor da democracia e contra o golpe no próximo período. Esse foi o tom das declarações dos quatro participantes da mesa “Desafios do Movimento Nacional de Pós-Graduandos”, que aconteceu no início da noite do sábado (11), no 25º Congresso da ANPG, em Belo Horizonte. Os estudantes reforçaram a necessidade do crescimento da entidade nesse momento histórico, marcando a posição da academia pela democracia.

DSC_2901
Cristiano Flecha, vice-presidente da ANPG | Foto: Guilherme Bergamini

O vice-presidente da ANPG, Cristiano Flecha, defendeu a radicalização das ações do movimento no próximo período, quando será votada no Senado Federal a proposta ilegítima de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “Precisamos debater a paralisação dos pós-graduandos brasileiros nesse momento, uma greve geral que possa ser construída de forma efetiva. Nossa categoria pode parecer invisível, pois somos 300 mil em um país de 200 milhões de pessoas. Mas precisamos lembrar que 300 mil pessoas são muita gente e podemos dar uma grande contribuição na luta pela democracia”, destacou.
A campanha “Fora Temer” também deve ser amplificada, na opinião da diretora de Relações Internacionais da entidade Aline Diniz. Ela lembrou que a resistência ao golpe passa também pela defesa dos direitos básicos na sociedade e na pós-graduação. Ressaltou a questão de gênero, o crescimento da luta contra o assédio sexual e o machismo na universidade. “Esse tema deve ser nacionalizado”, defendeu.
O diretor de comunicação da ANPG Gabriel Nascimento lembrou que os pós-graduandos têm muito a perder com o golpe: “Hoje já somos um conjunto que não tem acesso à assistência estudantil do estado e, ao mesmo tempo, não temos direitos trabalhistas pela nossa atuação. Precisamos nos unir, massificar o nosso movimento”, disse.
Já Guilherme Rolim, da diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação falou sobre o desafio de organizar os estudantes da pós-graduação: “É urgente pensar medidas imediatas que permitam mais tempo e espaço para os pós-graduandos pensarem e agirem politicamente”, opinou. Segundo ele, é necessário também quebrar a lógica de “chefe” e “trabalhador” que vigora nas relações dos estudantes e pesquisadores com as instituições.
O 25o Congresso da ANPG termina neste domingo com a definição das resoluções da entidade para o próximo período, além da eleição da sua nova diretoria e presidência.
Artênius Daniel, de Belo Horizonte

Write A Comment