Por Astor Wartchow 

Formado em medicina e especializado em fisiologia e neuroengenharia, Miguel Nicolelis é um dos pesquisadores brasileiros de maior prestígio internacional, devido aos seus estudos sobre interface cérebro-máquina.

Autor do livro “Muito além do nosso eu”, seu trabalho e suas descobertas aparecem na lista das dez tecnologias que deverão mudar o mundo, de acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachusetts-MIT (EUA).

É o primeiro brasileiro a merecer uma capa da revista Science (fundada em 1880!), a mais prestigiada publicação científica do mundo, com tiragem de 130 mil exemplares. Chegou sua hora sonhada.

Nesta quinta-feira, quando a seleção brasileira de futebol estrear, também, minutos antes, entrará em campo e na história científica outro brasileiro.

Dentre um selecionado e testado grupo de paraplégicos, e “vestindo” um exoesqueleto, ou esqueleto externo, idealizado por Nicolelis, um deles entrará em campo e dará o chute inicial da Copa do Mundo.

Exoesqueleto é um dispositivo mecânico que dará sustentação ao corpo e será capaz de mover-se obedecendo ao controle da mente do paraplégico, a partir de conexões máquina-cérebro.

Tudo isso começou quando Nicolelis conectou eletrodos de dois milímetros e meio dentro do cérebro de um macaco. Mais precisamente em cinqüenta neurônios (aleatoriamente). Vários testes e experimentos depois, o macaco já movimentava um braço mecânico como se fosse o seu próprio.

Atualmente, conseguem conectar cerca de 600 neurônios. Nos próximos anos, chegarão a 60 mil neurônios graças a uma inovadora tecnologia de eletrodos tridimensionais. Em resumo, trata-se de pesquisa tecnológica cuja aplicação principal será no campo da reabilitação neurológica, a exemplo do Mal de Alzheimer e Parkinson, entre outros.

Nicolelis sonha grande e longe. Afirma que no próximo século o corpo deixará de ser o fator limitante da nossa ação. Nossa mente poderá atuar com máquinas que estão à distância. E comandar e operar dispositivos tanto de proporções nanométricas quanto gigantescas. Seja uma nave espacial ou uma ferramenta que penetra no espaço entre duas células.

Afinal, no meio de tantos escândalos nacionais e o deserto de líderes virtuosos, sua experiência e realização será o verdadeiro gol de placa dessa Copa do Mundo.

Astor Wartchow é Advogado

Fonte: Zero Hora

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