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Em defesa da democracia, o 25º Congresso Nacional de Pós-graduandos definiu em seu encerramento, neste domingo (12), os rumos da associação nos próximos anos. O evento, realizado entre os dias 10 e 12, na Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, reuniu mais de 600 estudantes de todo Brasil, que definiram propostas sobre temas diversos como direitos dos pós-graduandos, política educacional e ciência e tecnologia.
Ao todo, foram encaminhadas 16 moções, votadas por 284 delegados. Dentre elas o repúdio à pauta retrógrada da Câmara dos Deputados, à fusão do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação com o das Comunicações, ao machismo e assédio nas universidades. A ANPG fez uma moção ainda em defesa da educação pública de qualidade e por uma associação estudantil forte, capaz de barrar os retrocessos da “Ponte para o futuro”, programa do governo interino, que, entre outras coisas, indica o corte de bolsas e a cobrança de mensalidades na pós-graduação.
Entre as propostas apresentadas no 25º Congresso estão a construção de um dia nacional de mobilização contra a extinção do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação, a defesa de 2% do PIB de investimento para essa área e o reconhecimento da bolsa como direito do pós-graduando.
A proposta mais forte foi elaborada em forma de uma carta final, em que a ANPG se contrapõe ao programa de retrocessos representado pelo governo interino de Michel Temer.
“Em outros períodos de desestabilização democrática, a comunidade científica reagiu e resistiu”, diz o documento.
Para Tamara Naiz, presidente reeleita da ANPG, o 25º CNPG foi muito representativo, porque elegeu 863 delegados de todas as regiões do Brasil: do Amapá ao Rio Grande do Sul. Esse número representa quase 300 mil pós-graduandos, que foram eleitos de forma indireta nas instituições.
“É importante destacar que, pela primeira vez no congresso da ANPG, nós tínhamos 70% de mulheres palestrantes, incluindo três mulheres trans. Todas as mesas foram compostas por elas e algumas eram exclusivas. Isso é uma novidade. A gente sabe que na ciência a maioria absoluta é de homens brancos do Sul e Sudeste”, pontuou Tamara Naiz, presidente da ANPG.
Para a presidenta, as propostas conseguiram dar conta do conjunto de debates feito pela ANPG, como a defesa por mais direitos aos pós-graduandos, o combate ao assédio dentro das universidades, a implementação das cotas, a defesa do MCTI e a crítica ao desmonte das políticas educacionais.
Em breve, as moções e a carta estarão disponíveis no site da ANPG.
Shirley Pacelli, de Belo Horizonte

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