reunião - 4o salão

Atividade deu início ao 4º Salão Nacional de Divulgação Científica e incluiu aprovação de cartas oficiais e agenda de mobilização contra os cortes

Nesse domingo (12), dia de comemoração para a Associação Nacional de Pós-Graduandos, já que a entidade completou 29 anos de trajetória, também deu-se o início da programação do seu já tradicional Salão Nacional de Divulgação Científica, com a reunião da diretoria plena para definir a próxima agenda de lutas, os desafios para o segundo semestre, apresentação das atividades do evento, entre outras definições.

Essa que é a quarta edição do Salão e integra a programação do 67ª Reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência). A programação acontece até a próxima sexta-feira, dia 17 de julho, na UFSCar ( Universidade Federal de São Carlos).

Tamara Naiz, presidenta da ANPG, começou a reunião saudando as quase três décadas da entidade, ressaltando as lutas incondicionais por mais direitos aos pós- graduandos, e também lembrou as atuações e os grandes passos realizados nesse um ano de gestão da atual diretoria. “Realizamos atividades que mudam os rumos para o avanço que desejamos ver na pesquisa e ciência, como a ‘Caravana por mais direitos aos pós-graduandos’, realizada em maio, em Brasília, a participação em manifestações contra o retrocesso e por mais direitos, e atuação e reivindicações junto à agências de fomentos e a CAPES”, afirmou.

A Caravana em Brasília, que contou também com uma blitz no Congresso Nacional, culminou na criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Ciência, Tecnologia e Pós Graduação.

Flavio Franco, diretor de ensino à distância da ANPG e mestrando em Relações Internacionais pela UFBA (Universidade Federal da Bahia), disse que a mobilização, com mais de 150 pós-graduandos de todo o país, foi bastante positiva já que as demandas discutidas pelas associações reverberou em ações no âmbito político, incluindo parlamentes, reitores e gestores no geral.

“Também ampliamos o debate quanto a políticas afirmativas de cotas na pós-graduação, uma vez que na graduação incluímos mais estudantes negros, e na pesquisa científica o número é muito pequeno ainda. Além disso, levamos à frente as demandas de valorização do pesquisador, humanização nas relações da produção científica, aumento progressivo no valor das bolsas com base na inflação e direitos trabalhistas”, avalia Franco.

Para o próximo semestre, entre as atividades definidas, estão as Blitz em Reitorias para a defesa das bolsas de pesquisa (em agosto e setembro), a realização do CONAP (Conselho Nacional de Associações de Pós-Graduandos), com candidaturas para acontecer em Campinas, Fortaleza ou Ribeirão Preto, e a criação de um grupo de trabalho, com estudos e pesquisas sobre os subsídios necessários para implantar os direitos aos pós–graduandos que a entidade defende.

Repúdio aos Cortes
Um dos principais pontos tocados durante a reunião foi os recentes cortes anunciados na educação e nos investimentos em pesquisa científica, como a do Proap (Programa de Apoio à Pós- Graduação), de 75%.

Cristiano Flecha, vice-presidente da ANPG, diz que há necessidade de uma organização conjunta para barrar a política de ajustes fiscais, que ele avalia como uma reação em cadeia, e que são extremamente prejudiciais à educação e ao incentivo à pesquisa, uma vez que são escolhidos cortes em direitos, em vez de taxação de grandes fortunas.

“Se seguirmos essa tendência, no próximo ano o número de bolsas será muito menor. Devemos partir para a conscientização e para ações que sensibilizem e mobilizem toda a comunidade acadêmica, incluindo ‘calouradas’ para amplificar aos ingressantes sobre a conjuntura e paralização nacional, em unidade, como a definida para 11 de agosto, no último Congresso da UNE”, disse Flecha.

Fernanda Marques , do Programa de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, alerta para os erros de planejamento estratégico nos repasses de verbas do Proap, que é voltada para a compra de insumos materiais para laboratórios, e que são comprados por meio de pregões, em lotes. Caso um item não seja aceito, todo o lote é rejeitado e a verba devolvida.

“O problema é que esse dinheiro não é reembolsado. Ele se perde. Muitas vezes bolsas também são devolvidas à Capes, e não são novamente inseridas. Os cortes já ficam claros com impressões controladas, defesas de teses por vídeo conferncias e compra de menos materiais, fatores que geram trabalhos, possivelmente, com menos qualidade” , observa.

Durante a reunião foram aprovadas duas cartas que foram entregues ao Ministros da Educação Renato Janine e o de Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo. Uma delas aprovada pela diretoria da entidade e outra do Cômite São Carlense de Defesa para Educação, que é composto por diversas movimentos e representações de estudantes, entre elas, a ANPG.

Grupo de Apoio
Fernanda Lucas, doutoranda em ciências ambiental e diretora da APG USP Capital, apresentou, durante a reunião, um grupo de trabalho voltado para vítimas de assédio moral e sexual na pós-graduação.

O grupo conta com quatro integrantes na USP em São Paulo e também com atividades nas APGs Ribeirão Preto, Piracicaba e São Carlos. Segundo ela, são fatos que muitas vezes são ocultados, já que as instituições muitas vezes se omitem para não serem consideradas coniventes.

“Oferecemos o acolhimento e criamos ferramentas virtuais como um site e um tumblr para institucionalizar o combate ao assédio. Trocamos experiências e enviamos materiais para o empoderamento e consciência das vítimas, uma vez que essas só percebem quando já estão pensando em desistir ou estão depressivas”.

Fernanda acrescenta que o assediador comumente age porque não há denúncias e não há testemunhas, por isso a necessidade de divulgar o grupo de trabalho e estreitar os laços para obter respaldo da gestão das universidades.

Por Sara Puerta, de São Carlos

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