O corte de 20% das bolsas de iniciação científica pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) acendeu um debate muito importante no Brasil: qual a importância da iniciação científica no país, tanto para o futuro do país quanto para a pós-graduação, ciência e tecnologia.
A redação da ANPG procurou pós-graduandos, tanto ex-bolsistas de iniciação científica, quanto atuais bolsistas de iniciação, que destacaram o perigo desse corte.
“Sem iniciação científica não há estímulo para a ciência no país”, diz presidenta da ANPG. Historiadora pela UFG, a pós-graduanda e presidenta da ANPG teme que isso gere frutos negativos a curto e longo prazo. “O que está em jogo é o estímulo que esses jovens têm. O Brasil, que não tem um mecanismo de estímulo a jovens cientistas, corre o risco de perder recursos humanos num futuro muito próximo”
 
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“Se não fosse a IC [iniciação científica], eu não ia descobrir tantas coisas legais na universidade. Se hoje eu quero fazer um mestrado, eu devo isso à iniciação científica, ao meu orientador e à orientação dada”, avalia Tiago Calazans Simões, bolsista de iniciação científica da Universidade Estadual de Santa Cruz, no sul da Bahia.
 

Foto divulgação: Facebook

Gabriel Nascimento, diretor da ANPG, foi bolsista de iniciação científica do CNPq. “Fui CNPq-AF. Foram 11 bolsas Ações afirmativas do CNPq em minha instituição e fomos o primeiro lugar. Uma professora negra me adotou. Ela se chamava Maria D’Ajuda Alomba Ribeiro. Se não fosse essa bolsa de iniciação, eu não estaria no doutorado hoje. Eu olhei diferente para a universidade a partir daquele dia. A orientação me ensinou escrever e publicar, olhar para o objeto científico e reconhecê-lo. Lembro que foi a iniciação que me levou a apresentar mais de 20 trabalhos em congressos, encontros, semanas de letras, e ainda publicar artigos em periódicos, em anais e resumos em eventos. Eu fico muito triste com essa denúncia do corte [de bolsas de iniciação científica pelo CNPq]. É uma pena porque muita gente não vai ter essa oportunidade”, comenta.
Gabriel Nascimento, diretor da ANPG, apresentando trabalho em 2013, no Congresso das Línguas Oficiais do Mercosul, na Argentina, segundo ele, fruto da iniciação científica

“A ANPG não só se solidariza, a ANPG tem um histórico de defesa da ciência desde a graduação. Essa sempre foi nossa defesa nos fóruns e conselhos. Prova disso é que sempre demos entrevistas e lutamos pela defesa do PIBIC e PIBID”, lembra Hercília Melo, diretora da ANPG.
“O corte de bolsas de Iniciação Científica indigna a ANPG, que vai continuar lutando contra qualquer corte de bolsas”, avisa Tamara Naiz, presidenta da ANPG.
 
Da redação

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