Debate UFF

Os pós-graduandos da Universidade Federal Fluminense (UFF) e a ANPG realizaram o debate, na última quarta-feira(8), com tema “Campanha Nacional pelo Reajuste das Bolsas com a Associação Nacional de Pós-Graduandos”, no prédio da Física da Universidade.

Participaram do debate a diretora de comunicação e o diretor de relações internacionais da ANPG, Gabrielle Paulanti e Gabriel Mendoza, respectivamente; além dos pós-graduandos da UFF.

Os pós-graduandos expuseram, em primeiro lugar, a própria dificuldade de organização e mobilização, que também é um resultado das próprias condições precarizadas de pesquisa. Nesse sentido, a universalização das bolsas de pesquisa foi apontada como uma prioridade, garantindo condições mínimas para o exercício da pesquisa e da atuação como agente transformador da sociedade e para o exercício da cidadania plena. Assim, a falta do direito à greve é flagrante das relações instrumentalizadas na academia, onde os representantes discentes não tem autonomia de atuação e os pós-graduandos são obrigados a submeter-se a rotinas de trabalho não regulamentadas.

Como a maioria dos alunos eram vinculados ao curso de Física, uma grande preocupação é falta de seguro insalubridade e periculosidade. Muitos alunos trabalham nos laboratórios, em contato direto com materiais nocivos à saúde ou mesmo perigosos. Assim, o documento de direitos surgiu como uma ferramenta imprescindível no avanço para melhores condições de pesquisa e de vida, demonstrando a importância da campanha por mais direitos às pós-graduandas e pós-graduandos brasileiros.

Inflamados pelos últimos comentários do professor Jorge Guimarães, presidente da Capes, acerca da contratação de professores e pesquisadores via Organizações Sociais, a conjuntura política também foi tema do debate. Foram levados em conta os anos de sucateamento da universidade pública nos anos 80 e os evidentes avanços na estrutura e democratização da pós-graduação. Entretanto, essa nova ameaça ao caráter público e autônomo da universidade apareceu com uma grande preocupação dos pós-graduandos. Por isso, também foi discutida a conjuntura política geral brasileira, evidenciando a mudança de perfil da pós-graduação nos últimos anos e as concessões políticas e econômicas feitas pelo atual governo.

“Esse debate foi muito importante para aproximar ainda mais a ANPG dos pós-graduandos fluminenses e de suas urgências específicas. Mais uma vez, pudemos perceber que os maiores entraves e dificuldades na vida acadêmica são coincidentes entre as diferentes realidades da pós-graduação brasileira, por isso torna-se urgente a campanha por mais direitos aos pós-graduandos”, diz Gabrielle Paulanti, diretora de comunicação da ANPG.

“Saímos com o indicativo para novas discussões, tentando cada vez mais integrar os pós-graduandos, e o início de uma mobilização em prol do restabelecimento da APG-UFF”, acrescentou.

“Tivemos a oportunidade de debater as dificuldades de mobilização, incluindo as componentes de um período eleitoral em que um projeto que contempla (não sem problemas) Ciência & Tecnologia voltada ao desenvolvimento soberano, se confronta com outro que é o retrocesso no ensino superior e na C&T. Em linhas gerais, o recado que pudemos dar é que a luta dos pós-graduandos não pode ser indiferente às necessidades do povo oprimido”, diz Gabriel Mendoza, diretor de relações internacionais da ANPG.

Da redação

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