Foto: Natasha Ramos
Foto: Natasha Ramos

O Ocupe Brasília, acampamento montado pela ANPG e o conjunto de pós-graduandos brasileiros em frente ao MEC para pressionar contra os cortes, em defesa da democracia e por mais investimentos na pós-graduação, gerou importantes frutos.

Desde a posse de Renato Janine no Ministério da Educação, e de Carlos Nobre, na CAPES, a ANPG havia encontrado certa dificuldade de se reunir com ambas as autoridades para que eles ouvissem as reinvindicações dos pós-graduandos.

Por isso, a entidade representativa dos pós-graduandos mobilizou seus pesquisadores de várias partes do país para acamparem entre os dias 10, 11 e 12 de agosto, em frente ao prédio do Ministério da Educação, para que fossem recebidos.

A pressão gerou resultados e, no Dia do Estudante (11), devido à adesão de diversas APGs, que participaram da mobilização, seja no acampamento, seja com atividades em suas universidades, representantes do MEC e da CAPES, receberam a ANPG em reunião no próprio Ministério, na qual os pós-graduandos foram ouvidos com atenção e respeito.

“É preciso diminuir ao máximo esses cortes da Educação, queremos dizer que a ANPG tem um grande compromisso social e queremos sempre ter uma consequência nas nossas ações. Nós continuaremos sendo incisivos nas nossas cobranças e nas nossas defesas”, disse Tamara Naiz, presidenta da ANPG, que também também cobrou 100% dos recursos do PROAP.

Durante a reunião, com participação do secretário executivo do MEC, prof. Luiz Cláudio Costa, o secretário de Educação Superior do MEC, prof. Jesualdo Pereira Farias, e o presidente da CAPES, prof. Carlos Nobre, Tamara e diretores da ANPG apresentaram as reinvindicações dos manifestantes, como a reabertura das concessões de novas bolsas no exterior e a garantia que o MEC crie um grupo de trabalho para discutir as condições dos pós-graduandos, conforme prometido em um acordo feito com a instituição em abril deste ano, na ocasião da Caravana à Brasília. A ANPG também propôs que o MEC crie campanhas contra assédios moral e sexual na pós-graduação e estabeleça mecanismos nas universidades para acolher as vítimas.

Das resoluções da reunião
O MEC garantiu que o grupo de trabalho para debater as condições dos pós-graduandos será montado até a semana que vem, e contará com a participação dois representantes da ANPG, um da CAPES, um da SESU, um da Andifes, um da SBPC, e terá o CNPq como convidado. Esse grupo de trabalho terá o prazo de 60 dias para debater as questões apresentadas pela ANPG relacionadas, sobretudo, à assistência estudantil, à valorização das bolsas de pesquisa, à melhoria nas relações acadêmicas e à mais financiamento na pós-graduação.

Sobre os cortes no PROAP
Em julho, a Capes anunciou o corte de 75% nas verbas para o Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap), que financia custos como a organização e a participação de pós-graduandos em congressos, passagens de professores externos para examinar bancas de mestrado e doutorado, tradução de artigos e manutenção de equipamentos.

“O conhecimento não se constrói individualmente, ele depende de debates. Os cortes prejudicam o resultado das pesquisas de pós-gradução”, afirma o diretor de comunicação da ANPG Marcelo Arias. “Não adianta o pesquisador guardar o que produziu como se fosse algo para benefício próprio. A divulgação é uma forma de devolver para a sociedade o investimento que recebeu, mas o pós-graduando não tem dinheiro para fazer isso por contra própria”, explica Tamara.

Por Natasha Ramos, de Brasília

 

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