A Associação Nacional de Pós-Graduandos vem, por meio desta, repudiar os atos de assédio moral e sexual denunciados por alunos do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos. Reiteramos, como uma pauta já expressa pela entidade, que todo e qualquer tipo de abuso, agravado pela manipulação através das relações de poder instituídas na academia, são absolutamente inaceitáveis. Tais práticas ferem não apenas a ética das relações educacionais, mas o próprio processo de construção científica e a responsabilidade das instituições na formação de recursos humanos. Um país que deseje um desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação a serviço de seu povo e na diminuição das desigualdades e injustiças jamais poderá admitir que seus jovens cientistas construam suas pesquisas e suas carreiras baseados na coação e opressão. O assédio é prática recorrente na sociedade e, infelizmente, reproduzido na academia, tendo como principais prejudicadas as mulheres.

Igualmente repudiamos a atitude da coordenação docente do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Ufscar que, com a desculpa de resguardar a integridade do programa, coagiu e não se abriu para o diálogo com os discentes. Relembramos que muitas vezes o assédio é estimulado, e repetidamente praticado, ancorando-se na perspectiva de impunidade e permissibilidade corporativista. Discordamos que haja uma “onda” de “denuncismo”, pois acreditamos que essas práticas não são novidade na academia e que apenas algumas vozes ousam denunciar e tornar públicos os assédios sofridos.

Entendemos que na universidade deve prevalecer a democracia com senso de justiça, talvez de maneira ainda mais especial, pois é o espaço de construção e autorreflexão da sociedade, portanto esse tipo de abuso é inaceitável. Além disso, a ANPG relembra o aspecto o humano da questão, cuja relevância jamais está inferiorizada por qualquer hierarquia acadêmica.

Portanto, a ANPG solidariza-se com os estudantes da Ufscar, reafirma o compromisso de combater o assédio na academia e estar ao lado dos pós-graduandos, fazendo valer essa representação, na busca de melhores condições de ensino e pesquisa.

ANPG

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1 Comment

  1. Silvana Lopes Fonseca de Souza Reply

    Repudiemos essa prática que é prática contra mulheres na maioria das situações, mais especificamente, as casadas, as separadas, as ditas de cor.
    É desprezível mas está em toda parte.

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