O lançamento da Comissão da Verdade da Universidade de Brasília (UnB) aconteceu na última sexta (10), no auditório da reitoria. Cerca de 200 pessoas estiveram presentes, entre eles, os estudantes que integram a APG/UnB. A criação da Comissão da Verdade foi impulsionada pelos professores e alunos do curso de História e Direito, com respaldo do Reitor José Geraldo. Objetiva-se apurar os fatos ocorridos na universidade no período do regime militar (1964-1985), bem como, esclarecer episódios de violência contra os dirigentes estudantis Honestino Guimarães, Leda Delgado e Paulo de Tarso e tantos outros. 

Na ocasião, foram relembrados fatos terríveis que marcaram a história da universidade, como a morte de Anísio Teixeira, um dos criadores da UnB. Avalia-se que a instituição tenha sido a que mais sofreu com as intervenções da ditadura militar.

A APG UnB acompanhará de perto a luta pela verdade, para que sejam punidos os crimes cometidos pela ditadura militar. Uma das propostas da atual gestão é o Seminário de Memória do Movimento Estudantil, que discutirá questões relacionadas aos excessos cometidos no regime militar. 
 
Memória
 
A UnB sofreu uma série ações da ditadura. Em 1965, três professores foram demitidos por perseguição política. Como resposta, professores organizaram greve, com a adesão dos estudantes. Foram demitidos 15 professores, acusados de "responsáveis pelo ambiente de perturbação". Como protesto 223, entre os 305 professores da Universidade, pediram demissão. Até 1966, 80% dos professores haviam sido demitidos. Os docentes tinham duas alternativas: aceitar a intervenção do regime militar ou sair.
 
A invasão mais violenta aconteceu em 1968. Os alunos protestavam contra o assassinato do estudante secundarista Edson Luis, por policiais militares no Rio. Cerca de três mil alunos reuniram-se perto da Faculdade de Educação e da quadra de basquete. Foi o estopim para a prisão de sete universitários, dentre eles Honestino Guimarães. Agentes da polícia, do DOPS e do exército invadiram a UnB e detiveram mais de 500 pessoas na quadra de basquete. Ao todo, 60 delas acabaram presas.
 
Honestino foi visto pela última vez em outubro de 1973, após ser descoberto no Rio por homens do Centro de Informação da Marinha. Seu sobrinho Mateus Guimarães diz: "a nossa família acredita que ele deve ter sido levado de avião para o alto-mar, furaram a barriga, para não boiar, e depois o jogaram no mar. Essa era a marca dos agentes da Marinha".
 
Da redação, com informação de Marcius Siddartha, Secretário da APG UnB 
 
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