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O ano de 2018 já começou com tristes notícias de suicídios de mais pós-graduandos no Brasil. Por isso, está na hora de toda a pós-graduação abrir os olhos para a depressão no meio acadêmico e se unir para que casos assim deixem de acontecer.
A vida de uma pós-graduando não é simples: prazos apertados, pouco dinheiro, exigência de publicar artigos , além de uma carga excessiva de cobranças. Tudo isso aliado pode levar a depressão facilmente e essa doença tem se tornado cada vez mais comum. Para se ter uma ideia, a OMS (Organização Mundial da Saúde) já estima que ela chega a atingir 5,8 % pessoas no Brasil.
Além disso, a depressão está diretamente ligada ao suicídio, que tem números alarmantes, principalmente no aumento de casos entre jovens: comparando os anos de 2010 e 2012, ocorreu um aumento de 30% nos casos, com pessoas entre 15 e 29 anos
Precisamos falar sobre depressão
Envolto aos sentimentos ruins, talvez haja dificuldade em diferenciar uma fase ruim  de um diagnóstico de depressão. Para entender, o médico psiquiatra Fernando Fernandes, que mantém o canal no youtube Psiquiatria Online, para o esclarecer questões ligadas à doença, diz que  não existe uma causa única que leve alguém a um quadro depressivo.“ Ela é multifatorial e existem fatores desencadeantes, caso haja uma origem biológica e predisposição genética para o desenvolvimento”.
Na pós-graduação o fator externo é acentuado pela cobrança acadêmica e a incerteza quanto ao futuro profissional. Além desses fatores, muitos pós-graduandos relatam casos de assédio moral dentro das Universidades, o que piora o quadro.
No V Salão dew Divulgação Científica a ANPG debateu o assunto em uma mesa especifícia sobre assédio:

Mas como detectar a depressão?

Para o médico  psiquiatra Guido Boabaid May*, o sinal extremo de que algo está “fora do lugar” acontece quando há  sensação de esforço extremo – ou até impossibilidade –  para realizar as atividades do dia a dia. “ Ao perceber que as atividades estão sendo prejudicadas Indicamos que a pessoa busque ajuda profissional e um tratamento adequado”, aconselha.
O que pode desencadear a depressão entre os pós-graduandos:
Pressão por desempenho
Pressão por publicação de artigos
Ambiente Competitivo
O estudante o tempo todo se compara aos colegas, concorre com outros alunos por determinadas publicações. Isso pode dar a sensação de que se vive em um local hostil
Mudança de cidade;
Estresse
Dificuldades financeiras
Uso de álcool e drogas
Relação abusiva, neste caso pode se encaixar o assédio na vida acadêmica
Fonte: Fernando Fernandes, médico psiquiatra e pesquisador do Hospital das Clínicas.
Como ajudar alguém com depressão
A empatia, essa capacidade de se colocar no lugar de alguém, sentir sua dor, é a nossa  grande “arma” para ajudar alguém com depressão. Portanto: ofereça-se!
Seja Disponível
Ofereça seu tempo para encontrar e sair com a pessoa que está se sentindo depressiva
Ouça
Apenas falar já pode ajudar a diminuir o sofrimento. Pratique a escuta atenciosa.
Não proponha soluções
Evite as frases de auto ajuda e de exagerado otimismo, nem minimize os sentimentos da outra pessoa
Esqueça as regras
Não aponte estratégias e planos perfeitos para a cura da depressão
Estimular procurar ajuda profissional
Aconselhe e encoraja a pessoa a buscar tratamento. Se for o caso, tente ajudá-la a tirar os preconceitos de se consultar com psicólogos e psiquiatras
Avisar pessoas próximas
Caso a pessoa com depressão sinalize que pensa em suicídio, que não quer mais viver, entre em contato com pessoas da família.
Fonte: Fernando Fernandes, psiquiatra e pesquisador do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria da USP, Guido Boabaid May, psiquiatra e CEO da GnTech e Guilherme Polanczyk, doutor em psiquiatria e professor associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP.

Para quem precisa de ajuda, neste link estão os telefones e endereços de instituições que oferecem o serviço gratuito

 
 

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