Por Luiz Vitor, Diretor de Saúde da ANPG, Integrante do movimento ação pela ciência, Fisioterapeuta intensivista no Hospital de Referência Estadual da Paraíba para o combate ao Covid-19, Complexo Hospitalar Clementino Fraga e Fisioterapeuta Intensivista no Hospital Geral da Paraíba – HapVida.

As opiniões aqui veiculadas não necessariamente referem-se as opiniões da entidade e são de responsabilidade de seus autores.


 

A situação dos residentes em saúde no Brasil é de extrema preocupação. Além de não terem o reajuste das bolsas há mais de 5 anos, têm 14% do que recebem descontados pela previdência e não são contemplados com direitos trabalhistas, como auxílio alimentação e transporte. A carga horária exaustiva de 60 horas semanais extrapola o regime trabalhista e fere os Conselhos Federais de Classe.

Como podem os conselhos colocarem limites de carga horária semanal, a exemplo do de Fisioterapia que são de 30 horas semanais por vínculo trabalhista mas quando se referem às Residências em Saúde permitem as 60 horas semanais?

Essa crise instalada pela Covid-19 trouxe à tona a triste realidade e fragilidade dos residentes e demais trabalhadores em saúde do país.

O governo federal lança a campanha “Brasil conta comigo”, mesmo que os profissionais e residentes em saúde infelizmente não possam contar com o Brasil na prática.

Precariedade do serviço, falta de Equipamentos de Proteção Individual, assédio moral, atraso em mais de dois meses da bolsa salário e perseguição dos residentes são relatos e denúncias por todo o país. Até quando o governo deixará de olhar para a saúde? O desmonte do SUS está intimamente entrelaçado com o desmonte das Residências.

Todos esses problemas caem diretamente em um fator: saúde mental. A pressão psicológica pelo cenário imposto ao SUS, adicionado com os problemas advindos da Covid-19 ocasionam sérios problemas de saúde mental nos profissionais de saúde e que, na maioria das vezes, são impedidos de se afastarem, com ameaças de registro de falta e de redução do valor do pagamento. Esse problema fragiliza a assistência prestada, que pode desencadear o agravamento no processo de saúde-doença.

Mesmo com todos esses problemas, os residentes e profissionais de saúde não abandonam os postos de trabalho e dão o melhor de si a serviço de um bem comum: a defesa do SUS com qualidade e assistência digna a toda e qualquer pessoa que dele necessite.

Por isso, é nosso dever defender as residências em saúde em todo o país, fortalecendo ainda mais o maior patrimônio da saúde do povo brasileiro: o SUS.

Defender o SUS é defender o Brasil.

“As opiniões aqui veiculadas não necessariamente referem-se as opiniões da entidade e são de responsabilidade de seus autores”

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