Foto: Luana Bonone
O presidente da Ameresp, Paulo Navarro, conduziu a votação que decidiu pela entrada dos residentes paulistas na greve nacional, nesta quinta (19), no vão do Masp

Cerca de 500 médicos residentes do estado de São Paulo decidiram pela adesão à greve nacional durante assembléia organizada pela Associação dos Médicos Residentes do Estado de São Paulo (Amersp) nesta quinta-feira (19), no vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Residentes da capital e de cidades do interior, como Socoraba, Campinas e região do ABC, participaram da mobilização. A greve nacional dos médicos residentes começou desde terça-feira (17).

 
A greve é organizada pela Associação Nacional de Médicos Residentes (ANMR), que teve sua direção eleita em congresso ocorrido em janeiro, em Manaus (AM). Os estados de São Paulo, Pernambuco, Paraíba, Paraná e Rio Grande do Norte não haviam aderido à greve de forma imediata. O diretor de Saúde da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) e tesoureiro da Associação de Médicos Residentes dos Estado de São Paulo (Ameresp) Pedro Tourinho, explica que o motivo é a própria forma como a mobilização foi puxada: “essa crítica consiste no fato de que a ANMR eleita em Manaus passou por cima das associações estaduais”.
 
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Pedro diz que a ANMR não convocou as associações estaduais para debater a pauta ou mesmo para articular como seria organizado o movimento de greve em cada estado. Entretanto, o diretor da Ameresp considera que “a greve é legítima e a pauta é histórica”. Justamente por este motivo, a assembleia paulista aprovou a entrada do estado na greve, por tempo indeterminado. Embora tenha posicionamento crítico à forma como a greve foi convocada, a Ameresp aderiu ao movimento e “São Paulo vai mostrar que é de luta e ajudar a fortalecer o movimento nacional dos médicos residentes”, conforme fala empolgada do presidente da entidade, Paulo Navarro, durante a assembléia no Masp.
 
O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, também é crítico da greve. A assessoria de imprensa disse que a opinião do ministro é de que a greve é “incoerente”, pois “o governo está disposto a negociar”. A assessoria informa que, para o ministro, a greve só se justificaria se esta possibilidade (de diálogo) estivesse esgotada.
 
Foto: Luana Bonone
Ao lado do presidente da Ameresp, o tesoureiro Pedro Tourinho leu a pauta de reivindicações
Pauta histórica
 
Os residentes têm uma pauta de reivindicações que, segundo Pedro Tourinho, é debatida desde 2004. Em 2006 os médicos residentes realizaram uma greve e obtiveram alguns compromissos do governo, como um reajuste de 23,7% das bolsas. Como a promessa não foi cumprida, a defasagem da bolsa cresceu e hoje chega a 38,7%.
 
Na segunda-feira (16), os ministérios da Saúde e Educação oferecem um aumento de 20% das bolsas a partir de 2011, conforme ofício enviado à ANMR. A associação, entretanto, recusou o acordo e o Ministério da Educação (MEC) aguarda receber comunicado oficial para iniciar uma nova rodada de discussões.
 
Em negociação com os médicos residentes desde março de 2010, o governo federal está analisando outras reivindicações do grupo, como a ampliação do período de licença maternidade de quatro para seis meses e o estabelecimento da licença paternidade de cinco dias para médicos residentes. Esses dois pontos já constam de projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional pelos ministérios da Saúde e Educação.
 
Entretanto, o Congresso Nacional vive período de “recesso branco”, motivo de crítica da Ameresp ao momento da greve: “o momento de eleição favorece a pressão política sobre os ministérios, mas, por outro lado, o Congresso Nacional está em ‘recesso branco’, não está votando nada relevante, o que dificulta as negociações, visto que muitas das nossas reivindicações já estão previstas em Projetos de Lei”, constata o tesoureiro da Ameresp.
 
Foto: Luana Bonone
O presidente da Amerusp, Gerson Salvador, apresentou a programação de mobilizações, lembrando que "greve não é férias"
Na greve, muito trabalho
 
Nesta quinta (19), os residentes de São Paulo, que são 45% dos 22 mil médicos residentes que atendem pelo SUS no país, decidiram pela adesão à greve. Mas o presidente da Associação de Médicos Residentes da Universidade de São Paulo (Amerusp), Gerson Salvador, lembrou que “greve não é férias”. Antes de anunciar a programação das mobilizações de greve, provocou: “quem fica parado não disputa nada, quem fica em casa colabora com quem é contra a gente”. Gerson convocou as centenas de mobilizados a fazerem greve “dentro dos hospitais”. Os residentes vão realizar, a partir de sexta-feira (20), concentração nos hospitais onde trabalham para conversar com os usuários do SUS, explicar as motivações da greve. A programação prevê ainda doação de sangue e um ato público na Praça da Sé na segunda-feira (23), a partir das 10h.
 
Uma pauta importante, apresentada sob efusivos aplausos pelo presidente da Ameresp, Paulo Navarro, é a presença de um representante de São Paulo no comando nacional de greve. Durante a assembléia, foi formado ainda um comando estadual de greve, com um representante de cada hospital presente.
 
O presidente da Associação Médica dos Servidores Públicos e diretor do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Otelo Chino Jr., declarou apoio das entidades à greve. A ANPG também tinha diretores no ato, apoiando o movimento, visto que os residentes são estudantes de pós-graduação. Representante da Central Única dos Trabalhadores de São Paulo (CUT-SP) também manifestou solidariedade aos diretores da Ameresp.

No Rio, residentes estão em greve desde terça-feira (17), quando teve início o movimento nacional
Rio de Janeiro
 
Outros estados, como o Rio de Janeiro, já estão em greve desde terça-feira (17). Lá, a paralisação já atingia cerca de 80 hospitais durante a semana. O movimento é liderado pela Associação de Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj), que convoca nova  mobilização para a próxima terça-feira (24), às 11h, no Auditório do Hospital Federal da Lagoa. Nesta quinta (19), os médicos residentes cariocas também estiveram reunidos em ato público, que ocorreu na Cinelândia.
 
“A área mais afetada é a do SUS (Sistema Único de Saúde) porque o atendimento é feito por cerca de 70% de médicos residentes. O atendimento também diminui no setor do ambulatório e das cirurgias eletivas. A emergência funciona normalmente", declarou a presidente da Amererj, Beatriz Costa.
 
De São Paulo, Luana Bonone, com Ministério da Saúde
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