Com salários atrasados desde novembro, professores das Faculdades Integradas de São Carlos (Fadisc) não estão divulgando as notas dos alunos. A instituição tem ações trabalhistas que somam mais de R$ 3 milhões em multas. Preocupados com a situação, funcionários e estudantes escreveram uma carta pública com uma série de reivindicações.
 
Segundo os alunos de engenharia de produção e civil, o problema é antigo, mas chegou ao limite. Eles deveriam começar o terceiro ano agora, mas no boletim as notas do semestre passado ainda estão em aberto. “Esse ato já aconteceu outras vezes. Eles não entregam as notas porque não recebem os salários”, disse o estudante Ronaldo Gonçalves da Silva.
 
O problema de Silva é ainda mais delicado porque ele é bolsista. “Bolsista do ProUni não tem condições de se transferir para outra instituição. Ou ele cursa nessa ou aguarda alguma decisão do MEC. Então a gente fica de mãos amarradas”, lamentou.
 
Eles dizem também que são obrigados a pagar as mensalidades em juízo. “Nós já pagamos o mês de janeiro e teremos que pagar fevereiro também. Nós não temos aula. Nós estamos sendo obrigados a pagar por um serviço e não estamos recebendo o mesmo”, ressaltou o estudante Ricardo Buzinari.
 
Uma carta com todas as reivindicações foi feita e seria entregue na terça-feira (18). Eles querem uma resposta da direção. Além disso, já entraram em contato com o MEC.
 
Direitos Trabalhistas
 
Os professores também estão ameaçados e não descartam adiar o início das aulas. “Do ano de 2010, sempre recebemos uma retenção salarial que varia entre 40% e 50%. Isso significa que a gente não recebe o salário totalmente e ainda temos descontado o INSS e também o FGTS, que não é depositado no banco”, explicou o professor Reinaldo César.
 
No Ministério do Trabalho, em São Carlos, as ações contra os donos se acumulam desde 2003. São mais de R$ 3 milhões em multas. “Nós estamos com problemas de não pagamento de salários, não recolhimento de FGTS, de INSS, problemas com férias e outros inúmeros problemas trabalhistas. Quase toda a legislação vem sendo infringida de certa forma”, disse o gerente regional do Trabalho Valério Morillas Júnior.
 
Ainda de acordo com Morillas, novas explicações serão solicitadas. “Uma equipe vai apurar as dívidas da última apuração que ocorreu há mais de um ano. Serão lavradas novas multas que podem chegar a R$ 500 mil. Se houver algum crime tributário, também será encaminhado para a Procuradoria da República”.
 
No final da tarde, a diretora acadêmica da Fadisc, Iara Seneme Ferraz, disse, por telefone, que a faculdade tem problemas financeiros por causa de ações trabalhistas e que, por isso, 38% dos alunos pagam as mensalidades em juízo.
 
A instituição deve entrar com recurso junto ao Tribunal Regional do Trabalho de Campinas. Sobre o atraso no salário dos professores, a diretora afirma que a Fadisc está se esforçando para colocar os pagamentos em dia. A equipe da EPTV tentou contato com o MEC, mas não obteve retorno.
 
Fonte: EPTV
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