Ciência, tecnologia e inovação compõem novo documento da parceria estratégica bilateral, anunciado pela presidente Dilma. O ministro Celso Pansera participou da comitiva presidencial em Estocolmo

A área de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) integra o Novo Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil-Suécia, anunciado pela presidente da República, Dilma Rousseff, nesta segunda-feira (19), em Estocolmo. A assinatura do documento, que intensifica os laços bilaterais de cooperação, faz parte dos compromissos da visita oficial ao país escandinavo. O ministro Celso Pansera participa da comitiva presidencial.

“A intensificação da cooperação em defesa é momento propício para aprofundarmos nossas relações econômicas. Demos hoje passos decisivos para reforçar os laços estratégicos em nossas nações, que juntas têm um grande futuro pela frente”, afirmou Dilma em declaração conjunta à imprensa, ao lado do ao primeiro-ministro sueco, Stefan Löfven.

Reunida com a temática da educação, a parte sobre CT&I do documento reafirma o interesse mútuo em reforçar a cooperação no campo educacional e em promover maior intercâmbio de estudantes. Prevê, também, um memorando de entendimento em pesquisa e ensino superior.

Os dois lados declaram interesse em fortalecer o trabalho conjunto em mineração sustentável e decidem iniciar negociações para a adoção de memorando nesse sentido.

Sustentabilidade 

Energia sustentável é outro tema tratado. As áreas listadas são energias renováveis, incluindo biocombustíveis de segunda geração, transmissão e distribuição de eletricidade, redes inteligentes e eficiência energética.

Brasil e Suécia renovaram, ainda, seu compromisso com novas ações nos campos de meio ambiente, mudança do clima e desenvolvimento sustentável. Concordaram em estabelecer um plano de ação conjunto.

No comunicado à imprensa, a presidente destacou a iniciativa lançada pelo país parceiro no mês passado, durante a abertura da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, para promover a Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), lembrando que os dois países foram sedes das conferências de Estocolmo, em 1972, Rio-92 e Rio+20, em 2012.

“Temos a responsabilidade de preservar o legado desses eventos históricos sobre meio ambiente. Somos aliados na luta contra o aquecimento global, esse grande desafio que enfrenta a humanidade”, declarou Dilma.

Ela ressaltou que a contribuição brasileira para a redução de emissão de gases do efeito estufa será de 43% até 2030, com base em 2005. “O Brasil foi o primeiro grande país em desenvolvimento a anunciar sua meta”, apontou.

Ambos os lados reiteram sua determinação para responder de forma decisiva ao desafio da mudança do clima e colaborar para o sucesso da 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-21), em novembro.

Centralidade

A presidente visitou o Instituto Real de Tecnologia (KTH, na sigla em sueco) e assistiu a apresentação sobre o Instituto e os projetos desenvolvidos em parceria com o Brasil, incluindo o intercâmbio de alunos pelo programa Ciência sem Fronteiras (CsF). Ela ressaltou que essa cooperação é estratégica para o desenvolvimento do Brasil.

“Olhamos com muito interesse e atribuímos estratégica relevância à Suécia no que se refere à nossa cooperação em ciência, tecnologia e inovação. Nesse sentido, o Instituto Real de Tecnologia da Suécia é relevante parceiro para o Brasil em todas as áreas. Tem sido um parceiro do programa Ciência sem Fronteiras. É a instituição sueca que mais recebeu bolsistas brasileiros, desde a graduação até o pós-doutorado”, declarou. O titular do MCTI participou da visita.

Ao avaliar que a relação entre academia, governos e empresas é a tríade estratégica para o desenvolvimento e a inovação, Dilma incentivou as empresas brasileiras a participar cada vez mais desse processo, aproximando universidades, laboratórios e centros de pesquisas brasileiros do KTH. “Desejamos, também, que empresas brasileiras integrem-se às cadeias produtivas suecas”, disse. “Queremos estimular a todos os setores a se aproximar e desejamos ver o surgimento de startups.”

Ela relacionou outras parcerias frutos da cooperação com o Instituto: desenvolvimento de materiais sustentáveis na área de bioeconomia; pesquisa de materiais leves no domínio da aviação sustentável feitos pela Saab e pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA); busca de métodos de maior eficiência no uso da energia por Volvo, Saab e prefeitura de Curitiba; e desenvolvimento de soluções de mobilidade urbana pelas unidades brasileiras da Ericsson e da Scania.

Oportunidade

A KTH é a maior instituição de ensino superior em tecnologia da Escandinávia e uma das oito escolas técnicas líderes da Europa.

O Brasil tem ampliado a cooperação na área acadêmica e a quantidade de estudantes que estudam na Suécia por meio do Ciência sem Fronteiras. A KTH foi a instituição que mais recebeu alunos do CsF no país e atualmente conta com 40 estudantes brasileiros, divididos entre os cursos de graduação e pós-graduação.

Um deles é Flávio Luiz Mazzaro de Freitas, de 29 anos. Morando em Estocolmo desde março para cursar doutorado em ciências ambientais, Flávio se diz privilegiado com a oportunidade de estar na instituição por meio da bolsa concedida pelo governo brasileiro. Ele já havia cursado mestrado em 2009 na KTH, mas na ocasião o incentivo havia sido concedido por um programa de bolsas da União Europeia. Leia mais.

Agenda

Os compromissos da delegação na capital sueca incluíram seminário empresarial e visita à Saab. O grupo já se deslocou a Helsinque, para visita oficial à Finlândia.

Fonte: MCTI

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