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O diretor da ANPG, Gabriel Nascimento, participou hoje de uma mesa sobre cotas na pós-graduação, durante a I Ocupação Negra da Faculdade de Direito da UnB, organizado pelos discentes do programa de pós-graduação em Direito da Universidade de Brasília. Participaram Ronaldo Crispim, secretário de Ações Afirmativas da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e Bruna Cristina Jaquetto, doutoranda em sociologia e integrante do Coletivo de Mulheres Negras da UnB.

Na ocasião, Nascimento apresentou e discutiu dados sobre o surgimento e o histórico de elitização do ensino superior brasileiro. “Enquanto o país estava criando suas primeiras universidades, a população negra ainda estava ingressando no ensino básico. Então, desde aquela época temos a dificuldade em discutir a universalização do ensino para os negros. A universidade foi criada para a elite branca latifundiária do nosso país”, afirma.

O diretor da ANPG também levantou o avanço da Associação em relação às pautas sobre os direitos dos pós-graduandos e pós-graduandas. “Apresentei o fato de que a discussão sobre cotas já existe dentro da entidade, como visto no último Congresso Nacional de Pós-Graduandos”, diz. Segundo Nascimento, essa foi a primeira vez que a APG UnB discute e aprofunda o tema. “Foi destacado, também, as discussões entre a ANPG e o MEC acerca das cotas. Crispim comentou que a Seppir deve apresentar uma proposta sobre cotas na pós-graduação nos próximos meses e que o MEC havia criado um grupo de trabalho sobre”, afirma o diretor.

Foi falado também sobre a luta da entidade, junto ao CNPq e ao MEC, em traçar um perfil dos pós-graduandos brasileiros, uma vez que os únicos dados disponíveis são do GEOCAPES, e a ideia da criação de um banco de dados com informações vindas diretamente da plataforma Lattes.

Da reunião também surgiu a proposta da criação de um fórum de debate sobre cotas na pós-graduação. A ANPG deve se reunir com a Seppir nos próximos meses para discutir a possível entrada no grupo de trabalho, que foi uma reivindicação da Associação Nacional de Pesquisadores Negros.

“Foi uma mesa muito importante e destaco a luta dos pós-graduandos em prol de uma nova universidade, diversa e que pratique o conceito de diferença não somente como tolerância, mas sim da diferença que traga e promova justiça social”, diz Gabriel. Ao final, os presentes concordaram que o fato de o negro entrar na universidade através de programas de ação afirmativa não faz com que a nota do programa caia. “Pelo contrário. Os espaços onde há ação afirmativa são espaços que se desenvolvem. Chegamos às questões de como podemos melhorar a qualidade da pós-graduação no Brasil e de que modo podemos adequar nossa realidade e continuar produzindo ciência muito bem como já fazemos em algumas áreas”, completa o diretor da ANPG.

Da Redação

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