Estamos em período eleitoral e é muito importante que apresentemos as demandas da pós-graduação, ciência e tecnologia para as candidatas e candidatos ao parlamento e ao executivo.

Precisamos alertar sobre da grave situação dos bolsistas da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas, a FAPEMIG. Há mais de um ano, pós-graduandos e bolsistas de iniciação científica convivem com grandes atrasos no recebimento das bolsas. O problema começou quando os repasses à fundação, que eram trimestrais, passaram a acontecer mensalmente.
Enquanto é compreensível que o Estado de Minas passa por grave crise orçamentária que atinge diversos setores e servidores, é preciso reconhecer que a ciência não tem sido tratada como prioridade.
Os cientistas em formação, em sua ampla maioria, dependem exclusivamente da bolsa. No caso dos pós-graduandos, é exigido uma dedicação exclusiva ao projeto de pesquisa. E é importante que seja assim num estado que entende o papel estratégico da ciência e tecnologia para o desenvolvimento nacional. Todos temos contas a pagar, que têm data de vencimento; temos despesas com saúde, alimentação, vestuário e as diversas atividades acadêmicas desenvolvidas. Os atrasos causam grande prejuízo, houve casos de pessoas que passaram a depender de doações.
A FAPEMIG destina mais de 90% de sua receita para bolsas de pesquisa e hoje temos 10 mil bolsistas no estado. Entendo que é necessário um empenho de quem quer se eleger para compreender e propor soluções concretas para esta questão. Buscando contribuir, deixo algumas sugestões.
Por lei, o estado de Minas deve destinar 1% de sua receita líquida para a FAPEMIG. Esta garantia fundamental para o desenvolvimento científico não vem sendo cumprida. Neste sentido, seria importante que o legislativo propusesse regulações para assegurar este repasse, incluindo imposição de sanções ao governo no caso de descumprimento.
Além dos recursos públicos destinados à Fapemig, ela capta recursos privados, que destina a projetos de pesquisa. No entanto, estes recursos hoje não podem ser destinados às bolsas de pesquisa. Mudar esta legislação pode trazer um alento à questão dos atrasos nas bolsas.
Sou favorável à interação do setor produtivo com a universidade, desde que ela seja bem regulada para evitar distorções. Em particular, acho fundamental que essas parcerias contemplem empresas nacionais, que vão gerar emprego e renda em nosso país.
Ainda sobre recursos privados, acho importante que a comunidade acadêmica discuta a melhor forma para a alocação de recursos privados nas universidades. Acredito, que independente das áreas dos projetos fomentados pelo setor produtivo, parte dos recursos deva ser aplicado de modo difuso, para todas as áreas do conhecimento – biológicas, exatas e HUMANAS.
O argumento mais forte para isso, é que nem toda pesquisa tem uma aplicação industrial imediata. No entanto, todas elas têm o potencial para gerar tecnologias, industriais E SOCIAIS. E essas tecnologias podem trazer benefícios imensos para toda a sociedade. Para alcançarmos um modelo de desenvolvimento socialmente responsável e ambientalmente sustentável precisamos de ciência de ponta em todas as áreas do conhecimento.
Outro ponto muito importante é que os pós graduandos sejam ouvidos nas Fundações de Amparo à pesquisa, garantindo uma cadeira para eles em seus conselhos científicos. Eu defendo abertamente, que os critérios de avaliação de todas as agências de fomento passem a incluir e dêem peso considerável ao impacto social da ciência produzida. Afinal, precisamos estimular um retorno efetivo dos recursos investidos pela sociedade nas pesquisas científicas!
Por fim, é importante que todos os órgãos de ciência e educação se preocupem com a divulgação e a popularização da ciência. Precisamos contribuir para a formação de cidadãos com pensamento crítico e estimular que nossos jovens queiram ser cientistas e ajudem a produzir novos conhecimentos, percepções sobre a vida e contribuam para o desenvolvimento nacional.

Phillipe Pessoa, ex-diretor da ANPG Gestão 2016-2018

*As opiniões aqui reproduzidas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, a opinião da entidade.

Escreva um Comentário