Campus da Cidade Universitária (USP). Foto: Marcos Santos/USP .
Campus da Cidade Universitária (USP). Foto: Marcos Santos/USP .

As paralisações são em decorrência do congelamento dos salários anunciado pelo Conselho de Reitores das três Universidades Estaduais

O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) decidiu, na tarde da última quarta-feira (21), em assembleia, entrar em greve por tempo indeterminado. A paralisação começa na próxima terça (27). O motivo é o congelamento dos salários neste ano decidido pelo Conselho de Reitores das três Universidades Estaduais – USP, Unesp e Unicamp (Cruesp).

A decisão de greve dos trabalhadores da USP foi votada em reunião com cerca de dois mil trabalhadores no prédio da Faculdade de História, na Cidade Universitária, zona oeste de São Paulo. “Essa foi a maior assembleia em muitos anos”, disse o diretor do Sintusp, Magno de Carvalho. “Não teve nenhum voto contra a greve. A Universidade não pode rebaixar salários, porque, com essa inflação, não dar reajuste significa queda salarial.”

O sindicato espera iniciar a paralisação junto com professores e alunos, que realizaram na tarde de quarta-feira assembleias para decidir sobre o movimento. A Associação dos docentes (Adusp), decidiu, por ampla maioria, a adesão à greve.

“A postura do Cruesp foi intransigente”, criticou o presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp), Ciro Correia. “O arrocho salarial não é resposta para a crise nas universidades, mas piora sua capacidade de trabalho”, acrescentou.

Os estudantes também se reuniram, em assembléia convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), no começo da noite de quarta-feira. Apesar da greve dos ônibus em São Paulo, a reunião contou com a presença de cerca de 800 graduandos e pós-graduandos, que decidiram apoiar o movimento da greve.

Na próxima terça-feira (27), será realizada na Assembléia Legislativa de São Paulo, zona sul da capital, uma audiência pública para deliberar sobre a situação orçamentária da USP, Unesp e Unicamp. Estará presente na audiência o Fórum das Seis, que reúne os DCEs, associações de docentes e sindicatos de trabalhadores das três universidades públicas estaduais paulistas.

Uma nova assembléia do DCE, a ser realizada na próxima quarta-feira (28), na cidade universitária, irá definir as demais pautas estudantis da greve.

A USP vive uma crise financeira e gasta mais de 100% de seu orçamento com pagamento de salários. Antes de anunciar, em conjunto com Unesp e Unicamp, o congelamento de salários, a USP já havia cortado 30% de todos os gastos de custeio e investimento. Os níveis de comprometimento do orçamento com a folha de pagamento estão em 95,42% na Unesp e 97,33% na Unicamp.

UNESP e UNICAMP

Após a divulgação da nota do CRUESP sobre o congelamento dos salários, trabalhadores de 17 dos 23 campus da UNESP fizeram paralisação parcial na tarde de quarta-feira.

De acordo com o coordenador político da Sintunesp, Alberto de Souza, servidores técnicos-administrativos de dez campus da Unesp deflagraram hoje (22) greve por tempo indeterminado (os campus de Araraquara, Assis, Bauru, Botucatu, Franca, Ilha Solteira, Jabuticabal, Marília, Presidente Prudente, Sorocaba e Instituto de Artes de São Paulo). Professores do Instituto de Artes de São Paulo e Sorocaba também já cruzaram os braços por tempo indeterminado.

No campus de Presidente Prudente, professores, funcionários e alunos formaram uma comissão de greve, com o intuito de definir um cronograma de atividades para a próxima semana.

Segundo a assessoria de imprensa da Unesp, ainda não há um mapeamento definitivo das paralisações na tarde desta quinta-feira (22). Cada unidade está decidindo em assembléias o que será feito a respeito.

Na UNICAMP, foi realizada assembleia do Sindicato dos Trabalhadores (STU), na qual foi deflagrada a greve da categoria dos técnicos-administrativos a partir de amanhã (23) por prazo indeterminado. A associação de docentes da universidade decidiu aderir à greve a partir de terça-feira (27).

Os estudantes de graduação e pós-graduação também se reuniram em assembleia, na qual deliberaram um indicativo de greve em apoio às mobilizações dos funcionários e docentes, que será aferida definitivamente em nova assembléia na semana que vem.

Em comunicado, emitido no último dia 21, o Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) diz o seguinte: “Com a confirmação da arrecadação efetiva do ICMS de abril, os níveis de comprometimento do orçamento com a folha de pagamento passaram a ser 95,42% na UNESP, 97,33% na UNICAMP e 105,33% na USP, o que levou o CRUESP a prorrogar a discussão da data-base para setembro / outubro deste ano”.

“No entanto, consciente da importância de manter o poder aquisitivo dos salários e, ao mesmo tempo, preservar o necessário equilíbrio financeiro das três Universidades, o CRUESP agendou com o Fórum das Seis reuniões mensais de acompanhamento da arrecadação do ICMS para avaliar a situação orçamentário-financeira”.

Da redação com informações d’O Estado de S. Paulo e do G1

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