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Por se ver preocupada com o momento que o país atravessa, a Associação Nacional de Pós-Graduandos convocou toda a sociedade para uma grande manifestação contra o Ajuste Fiscal, contra a redução da maioridade penal, contra a terceirização, contra o regime de partilha do pré-sal e contra o financiamento empresarial de campanha. O ato, que aconteceu no dia quinta-feira (25), reuniu na Avenida Paulista, maior pólo econômico de São Paulo, além da ANPG, a UNE, UBES, CUT, MTST e outros movimentos sociais.

Passamos pela maior crise do capitalismo desde 29 e a resposta do governo federal, com medidas da cartilha neoliberal, aponta para aprofundar o quadro recessivo. Soma-se a isso o parlamento mais conservador e fisiológico da jovem democracia brasileira, presidido por uma personagem autoritária e avessa à participação popular.

A ANPG tem se reunido com outras entidades do movimento social buscando consolidar uma resistência popular à ofensiva conservadora no congresso que tenta, por vários projetos, subtrair direitos que foram conquistados por trabalhadores, jovens, mulheres e negros nos últimos anos.

Queremos barrar o financiamento empresarial de campanhas, pois cremos que os deputados devem defender o povo e não os interesses de uma minoria empresarial. O financiamento privado é a nascente dos rios de corrupção que cortam nosso país, sustentado por bases de interesses pessoais que deixam o interesse comum de lado, fomentando desigualdades sociais.

Queremos manter o regime de partilha na exploração do Pré-Sal e a exclusividade da Petrobras. O petróleo é nosso e não podemos permitir que ele seja entregue para empresas estrangeiras. Além disso, lutamos porque não podemos deixar que os direitos trabalhistas, tão arduamente conseguidos, sejam ameaçados com a PEC da terceirização.

Por fim, a ANPG é contra a redução da maioridade penal, pois essa é uma solução falsa para o problema da segurança pública e reduz a possibilidade de re-sociabilizar milhares de jovens cooptados pelo tráfico de drogas. É preciso pensar medidas que aprimorem a segurança pública sem restrições de direito à juventude.

Na ocasião, a presidenta da ANPG, Tamara Naiz, discursou no carro de som que, “A gente sabe que o Brasil mudou um pouco para nossa juventude e para nosso povo, mas também sabemos que precisa mudar muito mais. E para mudar, é preciso uma reforma política ampla e democrática, que combata a corrupção, porque a corrupção mata, desvia dinheiro da saúde e da educação, dinheiro que era para ser investido no nosso povo!”.

Tamara ainda afirmou que a redução da maioridade penal é uma forma de enganação:  “Estamos aqui para reafirmar: o nosso compromisso é enfrentar as pautas conservadoras no Congresso Nacional. Não aceitaremos a terceirização, não aceitaremos a criminalização da nossa juventude através da redução da maioridade penal, porque a juventude no Brasil comete apenas 0,01 por cento dos crimes contra a vida. Reduzir a maioridade penal é enganação”.

atodia25

Marcelo Arias, diretor da ANPG, completa a visão da presidenta: “A juventude não é a que mais mata, mas a que mais morre. Todo ano são mais de 30 mil jovens assassinados nesse país, e 70 por cento deles são negros, pobres e moradores da periferia”.

Tamara finalizou afirmando que “A nossa juventude não quer cadeia, a nossa juventude quer mais escolas, quer mais direitos e é por isso que estamos aqui hoje, para dizer que o povo quer dignidade! O povo sabe que democracia a gente constrói na rua, porque aquele parlamento de homens brancos e ricos não nos representa! A gente quer reforma política, a gente quer ver as mulheres e o povo no poder! E é por isso que faço uma saudação, porque a rua é nossa! A gente é da rua! A rua é do povo, e é assim que tem que estar: ocupada por mais direitos e por mais conquistas! Não ao retrocesso! Contra o ajuste!”.

Da Redação

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