Dalmare - entrevista

Entrevista com Dalmare Anderson Bezerra de Oliveira Sá

– Membro da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional
– Residente Multiprofissional de Saúde Mental (desde 2013).

“A residência é transformadora, é um momento para viver e não apenas para passar. Ser residente e poder vivenciar tudo que aprendemos e não tivemos a oportunidade de praticar durante a universidade. É incrível! Talvez o farmacêutico seja o profissional que mais ganhe na residência multiprofissional, por ter a possibilidade de realizar clínica e de interagir com a equipe, que passa a ter a visão dele como um profissional imprescindível.” (Dalmare Anderson)

CFF: Por que decidiu fazer Residência?
Dalmare Anderson – Por ter sido formado para lidar com pacientes e ter me encantado pela farmácia clínica durante o curso de graduação. Como tenho uma grande vontade de ser professor e sempre critiquei aqueles que não possuem vivência prática para dar aula embasada na realidade, a residência é um importante processo na minha formação para docência.

CFF: Como foi a seleção?
Dalmare Anderson – A prova exige bastante estudo, mas a maior dificuldade não foram as questões de farmácia e sim as de saúde pública, devido a deficiência da maioria dos currículos de farmácia em tal área. Foram 5 candidatos para 2 vagas.

CFF: Ficaram vagas ociosas no seu programa?
Dalmare Anderson – Nenhum programa da Universidade Federal de Sergipe(UFS) teve vagas ociosas para farmacêutico ao final do processo seletivo.

CFF: Qual a importância do farmacêutico na sua área de Residência? Como ele pode contribuir?
Dalmare Anderson – A saúde mental vive hoje um paradigma de medicalização exacerbada, de tal forma que o farmacêutico consegue dar um norte pelo o uso correto e racional de medicamentos, tanto à equipe quanto aos pacientes. O reconhecimento da importância dos farmacêuticos que se colocam presentes e junto à equipe é imediata, o espaço está colocado, basta ocuparmos.

CFF: Que resultados você já observou na prática?
Dalmare Anderson – A melhora quanto ao uso dos medicamentos, bem como a melhora na visão clínica ampliada do paciente.

CFF: Quais são as consequências do uso incorreto de medicamentos na área da saúde mental?
Dalmare Anderson – Esta talvez seja uma das principais contribuições do farmacêutico para equipe multiprofissional em saúde mental. De forma direta, o farmacêutico, ao promover o uso responsável de medicamentos, contribui para a melhora efetiva do quadro de saúde do paciente.

CFF: Qual sua expectativa depois da conclusão da residência?
Dalmare Anderson – Atuar em um local onde possa exercer a clínica farmacêutica de forma direta ou guiar as equipes que lidam com saúde mental a terem este olhar da importância quanto ao uso racional dos medicamentos. O que não significa usar menos ou mais medicamentos, mas usar de forma correta e, em alguns casos, nem usar medicamento algum.

CFF: Quais são os principais problemas relacionados à Residência hoje?
Dalmare Anderson – O principal problema é a falta de avaliação e certificação diferenciada das residências, que possuem carga horária de 5760 horas e das pós-graduações que podem ser feitas em 360h. O reconhecimento deste profissional formado com dinheiro público de forma diferenciada é muito importante para provisão adequada dos espaços que existem no SUS. Espero, sinceramente que, com a rearticulação da comissão nacional, possamos resolver alguns destes problemas.

CFF: Em sua opinião, o que leva à falta de interesse dos farmacêuticos pela Residência?
Dalmare Anderson – Acho que, principalmente, a falta de informação, durante a graduação, que mostre a importância do SUS e da farmácia clínica como atuais nortes da profissão.

CFF: O que você diria aos seus colegas sobre a Residência? Os estimularia a cursar?
Dalmare Anderson – A residência é uma formação transformadora, é um momento para viver e não apenas para passar. Ser residente e poder vivenciar tudo que aprendemos e não tivemos a oportunidade de praticar durante a universidade, é incrível! Talvez o farmacêutico seja o profissional que mais ganhe na residência multiprofissional, por ter a possibilidade de realizar clínica e de interagir com a equipe, que passa a ter a visão dele como um profissional imprescindível. Ser residente farmacêutico é praticamente uma militância em prol da profissão atualmente.

CFF: O que você espera como suplente na Comissão Nacional de Residência em Saúde? Quais são os projetos dos residentes ao aceitar participar da Comissão?
Dalmare Anderson – Temos trabalhado bastante para corrigir algumas portarias que não se adequam à realidade de muitos programas de residência no país. Agora nosso principal projeto é certificar quem é o egresso, avaliar as residências que já estão formando há mais tempo, inibir assédios morais que os residentes estão sofrendo em diversos locais do Brasil por parte de suas coordenações e realizar os Seminários Regionais e V seminário Nacional de Residências em Área da Saúde.

CFF: Quais as mudanças serão buscadas na Comissão e na Política para as residências no Brasil?
Dalmare Anderson – Por hora não faremos mudanças bruscas, além dos temas que abordei no tópico anterior iremos rever algumas portarias, em especial, aquelas que travam alguns reconhecimentos de residências clássicas no cenário nacional, que são principalmente as oferecidas pelas escolas de saúde pública, que estavam impedidas de ser reconhecidas por não estarem ligadas a instituições de ensino superior.

Fonte: Conselho Federal de Farmácia

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