Crédito: Fora do Eixo

O Sindicato dos Químicos de São Paulo recebeu na tarde de sábado (23) a plenária da Jornada Nacional de Lutas da Juventude. Realizada todos os anos, sempre no mês de Março, a Jornada reúne em sua organização a UNE (União Nacional dos Estudantes), UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), ANPG (Associação Nacional dos Pós Graduandos), movimentos sociais e diversas organizações estudantis. 

Com o objetivo de definir o formato das manifestações Brasil afora, a Plenária articulou as atividades regionais, bem como, alinhou os eixos prioritários e bandeiras de lutas que serão defendidas pelo conjunto dos estudantes.
 
Temas como o financiamento público da educação, a melhoria das condições de trabalho e a violência contra jovens nas periferias, estão no bojo das pautas levantadas pelos estudantes. “Não nos deteremos onde os governos param. Iniciamos aqui uma caminhada de unidade e luta por reformas estruturais”, diz o manifesto assinado por 30 entidades.
 
A ANPG se soma à luta dos estudantes
 
Ao manifesto da Jornada, a entidade apresentou bandeiras específicas do movimento de pós-graduação, que tratam da destinação de 2% do PIB para a ciência, tecnologia e inovação e a consolidação de uma política permanente de valorização das bolsas de pesquisas (veja abaixo).  De acordo com Luana Bonone, presidenta da ANPG, a entidade deve convocar atividades da Campanha de Bolsas 2013 alinhadas à Jornada. “O objetivo é pautar, além das bandeiras gerais da Jornada de Lutas, as necessidades centrais dos pós-graduados. O movimento que está sendo construído tem potencial de marcar história.” Afirma. 
 
 
Leia abaixo a carta aprovada na Plenária
 
Unir a Juventude Brasileira: “Se o presente é de luta, o futuro nos pertence”! Che Guevara
 
As entidades estudantis, as juventudes do movimento social, dos trabalhadores/as, da cidade, do campo, as feministas, as juventudes partidárias, religiosas, LGBT, dos coletivos de cultura e das periferias se unem por um ideal: avançar nas mudanças e conquistar mais direitos para juventude.
 
É preciso denunciar o extermínio da juventude negra e das periferias a quem o estado só se apresenta através da violência. O mesmo abandono se dá no campo, que alimenta a cidade e segue órfão da Reforma Agrária e dos investimentos necessários à permanência da juventude no campo, de onde é expulsa devido à concentração de terras, à ausência de políticas de convívio com o semiárido. Já na cidade, a juventude encontra a poluição, a precarização no trabalho, a ausência do direito de organização sindical, os mais baixos salários e o desemprego, fatores ainda mais graves no que diz respeito às jovens trabalhadoras.
 
Essa é a dura realidade da maioria da População Economicamente Ativa no país, e não as mentiras da imprensa oligopolizada, que foi parceira da ideologia do milagre brasileiro e cúmplice da ditadura, ao encobrir torturas e assassinatos e sendo beneficiária da monopolização ainda vigente.
 
É coerente que ela se oponha à verdade e à justiça, que se cale ante as torturas e ao extermínio dos pobres e negros dos dias de hoje, que busque confundir e dopar a juventude, envenenando a política, vendendo-nos inutilidades, reproduzindo os valores da violência, da homofobia, do machismo e da intolerância religiosa. mas eles não falam mais sozinhos: estamos aqui pra fazer barulho.
 
Queremos cidades mais humanas em vez de racismo, violência e intolerância. Queremos as garantias de um estado laico, democrático, inclusivo, que respeite os Direitos Humanos fundamentais, inclusive aos nossos corpos, à liberdade de orientação sexual e à identidade de gênero, num ambiente de tolerância religiosa.
 
Queremos reformas estruturais que garantam um projeto de desenvolvimento social e que abram caminhos ao socialismo. Lutamos por um desenvolvimento sustentável, solidário, que rompa com os valores do patriarcado, que assegure o direito universal à educação, ao trabalho decente, à liberdade de organização sindical, à terra para quem nela trabalha e o direito à verdade e à justiça para nossos heróis mortos e desaparecidos.
 
Para enfrentar a crise é preciso incorporar a juventude ao desenvolvimento do país. Incluir o bônus demográfico atual exige uma política econômica soberana que valorize o trabalho, a produção, o investimento e as políticas sociais, e não a especulação. Esse é o melhor cenário para tornar realidade os direitos que queremos aprovados no estatuto da juventude.
 
Iniciamos aqui uma caminhada de unidade e luta por reformas estruturais que enterrem o neoliberalismo e resguardem a nossa democracia dos retrocessos que pretendem impor os monopólios da mídia, ou golpes institucionais como os que ocorreram no Paraguai e em Honduras.
 
Desde essa histórica Plenária Nacional, unidos e cheios de esperança, convocamos a juventude a tomar em suas mãos o futuro dos avanços no Brasil, na luta pelas seguintes bandeiras consensualmente construídas:
 
1. Educação: financiamento público da educação
 
1.1. 10% PIB para Educação Pública
 
1.2. 100% dos royalties e 50% do fundo social do Pré-sal para Educação Pública
 
1.3 2% do PIB para Ciência, Tecnologia e Inovação
 
1.4 Por uma política permanente de valorização das bolsas de pesquisa
 
1.5 Democratização do acesso e da permanência na universidade
 
1.6 Pela expansão e a qualidade da educação do campo
 
1.7 Cotas raciais e sociais nas universidades estaduais
 
1.8 Curricularização da extensão universitária
 
1.9 Regulação e ampliação da qualidade, em especial, do setor privado
 
2. Trabalho – trabalho decente
 
2.1 Redução da jornada de trabalho sem redução de salário! 40 horas já!
 
2.2 Condições dignas de trabalho decente
 
2.3 Políticas que visem a conciliação entre trabalho, estudos e trabalho doméstico
 
2.4 Direito de organização sindical no local de trabalho
 
2.5 Contra a precarização promovida pela terceirização
 
2.6 Pela igualdade entre homens e mulheres no trabalho e entre negros/as e não negros/as
 
3. Por avanços na democracia brasileira – Reforma Política
 
3.1 Pela Reforma política
 
3.2 Combate às desigualdades sociais e regionais
 
3.3 Contra a judicialização da politica e a criminalização dos movimentos sociais
 
3.4 Pela auditoria da Divida Publica
 
3.5 Contra o avanço do capital estrangeiro na aquisição de terras e na Educação
 
3.6 Reforma agrária
 
3.7 Aprovação do Estatuto da Juventude
 
4. Diretos sociais e humanos: Chega de violência contra a juventude
 
4.1 Contra o extermínio da juventude negra
 
4.2 Contra a redução da maioridade penal
 
4.3 Garantia do direito à Memória, à Verdade e à Justiça e pela punição dos crimes da Ditadura
 
4.4 Garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, como à autonomia sobre o próprio corpo e o
 
combate à sua mercantilização, em especial das jovens mulheres
 
4.5 Pelo fim da violência contra as mulheres
 
4.6 Pela mobilidade urbana e o direito à cidade
 
4.7 Pelo direito da juventude à moradia
 
4.8 Desmilitarização da policia
 
4.9 Respeito à diversidade sexual, aos nomes sociais e criminalização da homofobia
 
4.10Apoio à luta indígena e quilombola e das comunidades tradicionais
 
4.11Contra a internação compulsória e pelo tratamento da dependência química através de uma
 
política de redução de danos
 
4.12 Pelo direito ao lazer à cultura e ao esporte, inclusive com a promoção de esportes radicais
 
5. Democratização da comunicação de massas
 
5.1. Universalização da internet de banda larga no campo e na cidade
 
5.2 Políticas públicas para grupos e redes de cultura
 
5.3 Apoio público para os meios de comunicação da imprensa alternativa
 
5.4. Apoio ao movimento de software livre
 
 
Da redação com informações da Agência Brasil 
 
 
 
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