A produção científica no Brasil terá um ano de muita comemoração: tanto o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) quanto a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) completam 60 anos em 2011. São seis décadas de institucionalização das políticas públicas para o avanço Ciência e Tecnologia no país. O aniversário do CNPq será comemorado em cerimônia que ocorre nesta quarta-feira (27), em Brasília. Ao longo do ano, haverá diversas atividades de comemoração dos dois aniversários, e a ANPG estará presente.

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Assista aqui a mensagem do presidente do CNPq, Glaucius Oliva

 

A fundação do CNPq em 17 de abril de 1951 e a criação da CAPES em 11 de julho do mesmo ano significaram o pontapé para o estabelecimento de um sistema institucional voltado ao desenvolvimento científico e teconlógico no país. Aos 60 anos, as duas agências olham para o futuro, e inserem a Inovação como o terceiro elemento deste tripé que deve ser a base de sustentação do desenvolvimento soberano do Brasil.

A criação do Conselho Nacional de Pesquisa – que a partir de 1971 viraria o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – marcou o nascimento do sistema de pós-graduação no Brasil, tendo representado um grande incentivo às ciências básicas, na época muito pouco evoluídas. Em seguida, veio a fundação da CAPES, inicialmente uma “Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior”.

Pós-graduandos em defesa da ciência nacional

A ANPG parabeniza o CNPq e a CAPES por esta virtuosa trajetória lembrando que a existência das agências foi fundamental à organização do movimento nacional de pós-graduação e que o fortalecimento deste movimento foi peça chave também para que concepções conservadoras não pusessem fim às agências ou às suas políticas, como chegou a se ameaçar no início do ano de 1990 em relação à CAPES.

Segundo relato de Eunice Ribeiro, que iria dirigir a instituição: “Quando assumi, com um mês e meio de governo, ela já havia sido extinta — eu tinha sido convidada para dirigir um órgão que não existia mais”, relatou em Capes 50 Anos: Depoimentos ao CPDoc-FGV. A ANPG, já demonstrando desenvoltura como entidade representativa, acionou as suas bases: “Pedi à ANPG que convocasse os pós-graduandos do país inteiro para pressionar os deputados federais e senadores dos seus estados. Sei que foi uma mobilização belíssima! Chegávamos ao Congresso, e o parlamentar dizia que já conhecia o assunto, porque já haviam falado com ele no seu estado”, relata Ângela Santana, ex-diretora de programas da Capes (1991-95). 

Estivemos lado a lado em defesa da ciência nacional em diversos momentos e mesmo nos episódios de pressão, como as campanhas dos pós-graduandos pelo aumento do número e do valor das bolsas de pesquisa, a síntese é comumente um debate qualificado e uma luta conjunta pelo aumento das verbas para Ciência e Tecnologia no país.

Desafios para os próximos 60 anos

Os desafios que o CNPq e a CAPES possuem para os próximos 60 anos são muitos. Ainda temos uma concentração regional da produção científica no país que é causa, mas também conseqüência das desigualdades econômicas entre o sul e o norte do país.

Hoje o Brasil forma cerca de 12 mil doutores por ano. Este número precisa crescer bastante se quisermos de fato pôr término ao colonialismo científico do qual ainda somos vítimas. Além disso, precisamos conquistar mais recursos para garantir a permanência de bons pesquisadores nas universidades brasileiras através de um aumento anual nas bolsas de estudo que seja garantido por lei.

São desafios grandiosos, mas que a tanto o CNPq quanto a CAPES saberão enfrentar com a mesma força que mantiveram nos últimos 60 anos.

Saudamos o CNPq e a CAPES pela luta diuturna que travam para que o desenvolvimento brasileiro esteja calcado no avanço científico; e para que esta ciência consiga dar respostas à sociedade, valorizando a criatividade e as potencialidades do povo brasileiro para a realização de uma ciência voltada tanto ao desenvolvimento tecnológico quanto ao social.

Vida longa para ao CNPq e à CAPES!

ANPG

 

 

 

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