Manifestações acontecem contra o governo Bolsonaro, contra os cortes no orçamento da educação e pesquisa, por auxílio emergencial e vacina

O próximo sábado (29/05) manifestações em todo o Brasil contra o governo Bolsonaro estão marcadas nas principais cidades da federação. As entidades estudantis, UNE, UBES e ANPG estão mobilizando estudantes e a sociedade contra os cortes no orçamento da educação em 2021, e a iminência de fechamento de universidades e institutos federais que estão sem verbas para atravessar o ano, bem como cortes de bolsas de pesquisa. Além disso, a negligência diante da pandemia, a falta de vacinas, de auxílio emergencial suficiente, e o colapso na saúde causando um verdadeiro genocídio dos brasileiros, intensificou a necessidade de ir às ruas. Movimentos sociais e sindicais também aderiram à data.

“São residentes, mestrandos e doutorandos sem possibilidade de dar continuidade aos seus trabalhos. Com o governo Bolsonaro qualquer possibilidade de desenvolvimento, de combate à pandemia fica cada dia mais ameaçado”, destacou a presidenta da ANPG, Flávia Calé.

Para Rozana Barroso, presidente da UBES, a decisão de tomar às ruas é a via necessária para garantir o futuro de toda uma geração: ” Queremos saídas para a crise, orçamento para a educação e aceleração da vacinação”, resume a presidente da entidade secundarista.

As entidades recomendam cuidado e responsabilidade nas ruas: levar álcool em gel, usar máscara PFF2 ( há campanha de arrecadação para doação durante os atos) e manter o distanciamento.

 

Por que ir às ruas em plena pandemia?

Como se não bastasse a pandemia que afeta o mundo todo, vivemos o pior governo desde a redemocratização. A postura de Bolsonaro amplia os impactos da pandemia, potencializa a disseminação do vírus e ir às ruas no próximo sábado não significa abandonar as recomendações científicas.

“ Vamos evitar ao máximo a disseminação do vírus, máscara, álcool gel, distanciamento entre pessoas. O fato é que se esse governo segue, mais vidas estão em risco e há ainda a intensificação da crise social, da fome e miséria, da qual ele não apresenta qualquer solução, ao contrário promove cortes”, explica Iago Montalvão, presidente da UNE.

 

Para impedir universidades e Institutos de fecharem suas portas

Desde o ano passado as entidades estudantis têm denunciado que a falta de recursos pode fechar as portas das universidades a partir de Julho como já declarou a UFRJ. Os Institutos Federais, CEFETS e o Colégio Pedro II afirmam que com só funcionarão até setembro.

“Com o fechamento das universidades, hospitais universitários que tratam de milhares de doentes de Covid e outras doenças poderão fechar, vacinas que estão em estoque sendo produzidas e criadas em universidades podem ser perdidas. Isso significa mais mortes, caso algo não seja feito. Por isso é uma luta pela vida”, ressaltou Iago.

Os cortes orçamentários da pesquisa e a possibilidade de milhares de pesquisadores não receberem suas bolsas, mobilizaram também os pós-graduandos para às ruas no dia 29.

 

Por vacina para todos já!

No ritmo atual de vacinação, o Brasil não conseguirá imunizar todos os habitantes acima de 18 anos contra a Covid-19 em 2021. O Brasil continua em 58º lugar no ranking global da aplicação de doses da vacina e menos de 20% da população do país foi imunizada. Por isso, é preciso pressionar e responsabilizar os culpados pelo agravamento da crise sanitária. A CPI da Covid tem esclarecido o que já sabíamos. O Governo Bolsonaro ignorou estatísticas, especialistas, alerta de colapso nos estados, e ofertas para a compra de vacinas. “O Brasil receberia 18,5 milhões de doses da Pfizer até junho de 2021, se tivesse dado prioridade à vacinação. Quantas das 453 mil mortes poderiam ter sido evitadas? Responsabilizamos Bolsonaro sim”, frisou a presidenta da UBES.

 

Contra os cortes

Foram R$ 500 milhões reduzidos na Lei Orçamentária Anual de 2021, 22% a menos em relação a 2020. Corte de R$270 milhões do novo bloqueio de 14% do orçamento aprovado, e mais corte de R$ 13,5 milhões apenas em assistência estudantil. Esses números dizem respeito a verba discricionária dos IFs e colégios federais em despesas com assistência estudantil; bolsas de pesquisa e extensão; pagamento de água e luz; fornecimento de materiais e equipamentos; serviços como de limpeza e vigilância.

Eles afetam toda a rede federal de ensino. São 197 Universidades Federais, 38 Institutos Federais que correspondem a mais 1 milhão de estudantes, 2 Cefets, RJ e MG mais o Colégio Pedro II no Rio de Janeiro.

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