Vasco Rodrigo representou a ANPG na abertura da 62ª Reunião Anual da SBPC, ocorrida em julho deste ano em Natal (RN)

O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da ANPG, Vasco Rodrigo*, aborda a importância da Inovação Tecnológica para o desenvolvimento nacional. O artigo se insere no contexto de mobilização para a mesa-redonda “Inovação e pós-graduação: um novo paradigma para a pesquisa”, que sera realizada com apoio da UFMG durante a 6ª Feira de Inovação Tecnológica (Inovatec), que ocorre em Belo Horizonte de 5 a 8 de outubro.

O tema Inovação está cada vez mais na ordem do dia, entretanto nos cabe realizar algumas reflexões no intuito de desanuviar preliminarmente questões tidas pelo senso comum como verdadeiras panacéias ao país. A questão que nos prende e nos deixa mais próximo a opinião vigente repousa no âmbito da importância fundamental em gerar e incentivar pesquisas com foco inovativo. Nessa perspectiva, nossa compreensão em relação à forma em que se vem alavancando a respectiva gênese de Inovação ofusca a centralidade da questão macroeconômica. Por outro lado, cabe-nos uma reflexão a cerca da interrelação a que deva ser ainda mais desenvolvida e potencializada, entre a Universidade, especialmente a pós-graduação, e setor empresarial, público e privado. Seguiremos as três premissas supracitadas no desenvolvimento preliminar do tema proposto.

O processo de integração diferencial dos mercados mundiais estabeleceu a ampliação da lacuna entre os países produtores de bens primários e insumos e os de bens materiais/imaterias de alto valor agregado. A produção de bens por empresas com capacidade de Inovação permite ao país ingressar de forma soberana na contemporânea divisão internacional do trabalho. Todavia, ao visualizarmos uma relativa desindustrialização no cenário brasileiro, nos coloca uma preocupação, mas além disso, um desafio, o de pensarmos a Inovação como instrumento de grande valia ao processo de ganho em valor agregado, ampliação do setor empresarial – renda nacional – e fundamentalmente, propiciar ao país uma absorção qualificada de novos postos de trabalho.
 
Olhamos com certa inquietude a questão em que os estímulos à inovação tenham sua maior relevância nos estímulos fiscais, o que reproduz uma tendência mundial. Entretanto o cenário brasileiro nos coloca em condições diferentes dos países em que tem utilizado tal mecanismo de estímulo.  O primordial é salientar a capacidade de formação de capital financeiro nacional, ou mesmo uma poupança interna que permita grandes investimentos diretos (ID) no âmbito não somente no desenvolvimento de Inovação, mas também em infraestrutura. A questão macroeconômica tem apresentado um cenário pouco atrativo aos ID`s no setor empresarial, visto a condição da política monetária e taxa de juros. Sem dúvida os incentivos fiscais e as compras governamentais representam grande avanço ao salto inovativo a que as empresas necessitam, entretanto não podemos admiti-la como a ferramenta primordia, negligenciando a política macroeconômica.
 
O desafio que é colocado ao setor empresarial e à universidade, numa relação em que têm que navegar numa mesma direção em igual embarcação. A conjuntura coloca o desafio em que estão designados aqueles atores, no sentido de imbricarem suas atividades de pesquisa e inovação. Nisto os programas de pós-graduação possuem o "know how" e a capacidade de formar e gerar pesquisadores e pesquisas que convirjam em direção à empresa. 
 
Por via de tais reflexões sucintas e preliminares buscamos lançar luzes a importância e centralidade da Inovação ao desenvolvimento soberano a que ao país é tão caro. Entretanto foi necessário lançar o desafio a agentes em que na nossa opinião tem grande importância e capacidade de prover os meios de alçar o desenvolvimento inovativo.  
 
*Vasco Rodrigo Rodrigues Lourenço é diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da ANPG e mestrando em Planjamento Urbano e Regional do Observatório Imobilíário de Políticas do Uso do Solo (OIPSOLO / IPPUR / UFRJ).
 

 

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