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Nesta sexta-feira (29), o “I Encontro de Mulheres Pós-Graduandas” realizou uma série de atividades dentro do 26° Congresso Nacional de Pós-Graduandos na Universidade de Brasília (UnB). No período da tarde foi promovido dois grupos de trabalho.
O GT “Lugar de mulher é na Ciência: contribuição das mulheres no desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI)” foi mediado por Stella Gontijo, mestranda em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e Isadora Mendes, Mestre em Engenharia da Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Ambas são militantes da Marcha Mundial das Mulheres.
Já o grupo de trabalho “Desafio das Mulheres na Pós-Graduação: Maternidade, Machismo, Racismo, Assédio e Outros” foi mediado por Luyanne Azevedo, Diretora de Mulheres da ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos.
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Abaixo, você confere alguns trechos dos debates
Ciência feita por e para homens
Ana Gabriela, pós-graduanda de Biomedicina na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN): “A Ciência que chega em nossas casas e é comercializada é feita por e para homens. Para se ter uma ideia de como esse machismo se coloca de forma sutil,  os testes de medicamentos são testados em ratos machos, já que os hormônios feminino poderiam alterar os resultados. No entanto, como saber se os remédios pensados para homens são funcionais para mulheres?”, afirma.
Preconceitos
Virgínia A., mestranda de Cultura Africana na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Quando nós da academia dizemos que homens têm cérebros desenvolvidos e as mulheres têm ancas largas para reprodução, estamos perpetuando e fortalecendo discursos preconceituosos que limitam o papel da mulher”.
Alternativas
Manuele Matias, doutoranda na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). “Recentemente saiu em um jornal que a pós-graduação faz mal a saúde mental. Esse dado entra facilmente como algo normal ou digno de piada entre nós, mas não deveria e o motivo é evidente.  Há uma crença que o pós-graduando precisa estar apto e competitivo, mas precisamos visibilizar os muitos casos de distúrbios mentais causados pelo stress n  a academia. Há alguns casos de suicídio na UERJ, por exemplo. Não dá para entrarmos na mercantilização de medicação sem um cuidado mais próximo e abrangente de homens e mulheres estudantes”.
Neutralidade e controle
Stella Gontijo: “Estudamos com uma série de mecanismos de objetividade e neutralidade, mas eu tenho convicção que a Ciência e a Tecnologia não são produções de conhecimento que se dão alheios ao que permeia a sociedade. Essa visão serve para que uma série de processos sejam controlados por um grupo de pessoas. Se a mulher dá conta de uma dupla jornada de trabalho porque ainda é ignorado o conhecimento que ela produz? A disseminação do conhecimento também é um processo político, portanto, devemos ocupar cada vez mais esse espaço e dar visibilidade ao conhecimento produzido por nós. O patriarcado e o machismo continua a não permitir a visibilidade do conhecimento produzido pelas mulheres, portanto, não há neutralidade”.
Por Alexandre Melo 
 
 
 

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