Começou hoje, 30 de janeiro, o I Encontro de Jovens Cientistas Negros e Negras com o lançamento da campanha O lugar de negro e negra é na ciência.
O evento começou com a Comenda Milton Santos de Promoção dos Negros na Ciência, que contou em sua mesa com Tamara Naiz, presidenta da ANPG, Moara Saboia, presidenta da UNE, Frei David Santos, Educafro, Nagila Maria, presidenta da União dos estudantes da Bahia, Flávia Steffany, presidenta da união dos Estudantes de São Paulo, e Edson Franco, da Unegro. “Esse é um momento especial, pois ações afirmativas precisam estar nas pautas de todos os estudantes. A ANPG está nessa luta desde 2014 e em seu último Congresso assinou o compromisso sobre essa bandeira. Aprovar essa portaria foi uma das lutas mais intensas que eu vivenciei”, afirmou Tamara Naiz.
Após a comenda se formou a mesa o lugar de Negro da Ciência, com a professora Roseane da Silva Borges, professora da USP e Dennis Oliveira, professor da USP. As apresentações debateram o papel do negro nas ciências e as mais diversas formas de modificação de uma sociedade racista cujo potencial de violência racista começa pelo próprio olhar racista da Academia brasileira. “Uma arquitetura que foi montada no Brasil após o século 19 apresenta que o negro é periférico, pois sua agenda e sua expressão periférica. E isso se estabeleceu, inclusive nas Universidades, que reproduzem esse ciclo da periferização. Isso precisa ser combatido”, contou o professor Dennis Oliveira.
“É preciso pensar na Universidade que queremos. Que além de ser pública e de qualidade, temos de pensar em pluralidade. O próprio tema O lugar do negro na Ciência a gente supõe que há um lugar de negro no Brasil e se há um lugar é porque ele é cristalizado. O problema é ausência de negros. Vivemos em um país racista que tem um sistema que legitima isso”, explicou a professora Rosane da Silva Borges.
O I Encontro de Jovens Cientistas Negros acontece durante a 10 Bienal da UNE em Fortaleza. Amanha, 31 de janeiro acontecerá a mesa. É chegada a hora de ações afirmativas na pós-graduação, às 9 horas na Escola Porto Iracema das Artes.

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