Nesta terça-feira, 30 de março, o país amanheceu com manifestações estudantis realizadas em cerca de duzentas cidades, incluindo todas as capitais de estados, além do Distrito Federal. Sob o lema “Vida, Pão, Vacina & Educação”, a Jornada de Lutas da ANPG, UNE e UBES deu um contundente recado de repulsa ao governo Bolsonaro e em defesa das pautas essenciais para o povo, como a ampliação da vacinação e o auxílio emergencial de 600 reais.

Em virtude do isolamento social e das restrições impostas pelo combate à pandemia, que impedem manifestações massivas, as entidades recorreram a atos simbólicos para denunciar a tragédia humanitária e social que o país enfrenta.

Na cidade de São Paulo, houve manifestações que bloquearam momentaneamente vias importantes, como a Radial Leste. Faixas foram estendidas em frente ao Masp, na Avenida Paulista, e em viadutos. Os manifestantes ainda jogaram tinta vermelha nas escadarias do prédio do Ministério da Saúde na cidade, em alusão às vítimas da Covid.

No Distrito Federal, os estudantes foram à frente do Palácio do Planalto protestar contra o governo de Bolsonaro e abriram uma enorme faixa lembrando os mais de 300 mil mortos pela pandemia. No Rio de Janeiro, a ação tomou os tradicionais Arcos da Lapa com cartazes e faixas críticos aos governo. Em Teresina, as lideranças estudantis ocuparam a Ponte Estaiada João Isidoro França.

Nas ruas e nas redes

A Jornada de Lutas também contagiou as redes sociais. Durante o dia, a hashtag do movimento #vidapaovacinaeducacao ocupou as primeiras posições do Twitter no Brasil.

Flávia Calé, presidenta da ANPG, falou em suas redes sociais que a mobilização visava lutar contra o “apagão da ciência”, entre outras reivindicações. “A comunidade fez sua parte. Lutou pela aprovação, pela queda dos vetos do presidente e pela promulgação da lei que libera o FNDCT. Agora precisa entrar no orçamento de 2021. Estamos à beira do apagão da ciência!”, afirmou.

Iago Montalvão, presidente da UNE, disse que os atos reivindicam o básico para suprir as necessidades do povo. “Pão para comer, emprego e renda para sobreviver.Vacina para viver, superar essa pandemia e retomar as atividades. Educação para garantir o presente e o futuro do país”, apontou como as bandeiras do movimento.

Já a presidenta da UBES, Rozana Barroso, lembrou que a Jornada de Lutas é uma homenagem a Edson Luís, estudante assassinado pela ditadura militar. “O sonho dele ainda é presente: ser o 1º da família com diploma, ter condições de estudar. Abaixo ditadores e genocidas!”.

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