Assembleia dos estudantes realizada na USP na última quarta-feira (28)
Assembleia dos estudantes realizada na USP na última quarta-feira (28)

Professores, funcionários e alunos da Universidade de São Paulo (USP) estão em greve desde a última terça-feira (27) depois da notícia do Conselho de Reitores das Universidades Paulistas (Cruesp) de que não haveria reajuste salarial este ano.

De acordo com Magno de Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP), a greve vem crescendo. Já são mais de 30 unidades paralisadas e assembleias que reúnem cerca de 2 mil funcionários. A mais recente foi realizada ontem (29), na Faculdade de Odontologia da USP.

“A greve foi uma surpresa. Não esperávamos que a reitoria fosse propor 0% de aumento. A radicalidade do movimento foi inevitável”, explicou Magno.

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Questionado sobre a proximidade da greve com a Copa do Mundo e uma possível relação entre a greve e o evento, Magno foi taxativo: “Foi uma coincidência. As negociações salariais sempre ocorrem nos meses de maio e junho. E esse ano temos a Copa do Mundo. Não há uma ligação direta.”

Magno também lembrou que, à época das eleições para a reitoria da USP todos os candidatos, inclusive o reitor eleito, Marco Antonio Zago, comprometeram-se com a valorização da categoria e recomposição das perdas salariais. Postura diferente da adotada agora.

Durante a Assembleia geral dos estudantes realizada na cidade universitária na última quarta-feira (28), foram discutidas a possibilidade de uma auditoria das contas da universidade e a abertura das contas para avaliação. Foram mais de 60 pautas encaminhadas e questões de calendário que devem ser publicadas pelo Diretório Central dos Estudantes nos próximos dias.

Enquanto muitos cursos de graduação da Universidade aderiram à greve, a maioria dos cursos de pós-graduação está tendo aula normalmente. Segundo os pós-graduandos ouvidos pela ANPG, a decisão de entrar ou não em greve muitas vezes está além do apoio (ou não) às reivindicações das categorias. Muitas pesquisas que envolvem culturas em laboratório, por exemplo, podem ser perdidas por falta de acompanhamento.

Segundo Mariana Moura, doutoranda em Energia e representante dos pós-graduandos no Conselho Universitário da USP, a Associação de Pós-Graduandos (APG) da capital ainda não se posicionou quanto à paralisação das aulas. Diferente do realizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), não houve uma Assembleia que reunisse somente os estudantes de pós-graduação para definir a pauta referente à greve.

Os alunos de pós-graduação do Instituto de Química da USP, até o momento, também não aderiram ao movimento de greve. Suas aulas continuam normalmente. Segundo Phillipe Pessoa, da APG IQ USP e representante discente no Conselho Universitário da USP, os membros dessa APG devem se reunir nos próximos dias para definir o posicionamento da entidade em relação ao movimento grevista.

Situação nos outros campi da USP

Nos outros campi da USP fora da capital, o movimento de greve dos pós-graduandos ainda é tímido. Se em São Paulo, desde a semana passada, quando foi publicada nota do CRUESP sobre o congelamento dos salários dos docentes e funcionários, já houve uma movimentação da comunidade uspiana da capital no sentido de se iriam entrar ou não em greve, nas outras cidades esse movimento iniciou-se, de fato, apenas nesta semana.

USP Ribeirão Preto

No campus da USP de Ribeirão Preto, o movimento da greve não teve tanto impacto quanto na capital. A maior parte dos aderentes à greve foram os funcionários técnico-administrativos. Alguns docentes e alunos de graduação também aderiram à greve, mas não com tanta expressividade como na capital. Até o momento, os estudantes da pós-graduação deste campus mantém um posicionamento neutro em relação à greve. Segundo Camila, Presidente da APG Ribeirão Preto, a entidade ainda possui uma opinião imatura em relação à greve. Eles devem se reunir nos próximos dias para definir seu posicionamento.

USP São Carlos

De acordo com Reinaldo César, doutorando em Engenharia Mecânica e diretor da APG USP São Carlos, “Não existe uma crise orçamentária na USP, existe uma crise política entre o governador Geraldo Alckmin e o governo federal. Na próxima semana realizaremos reuniões nos departamentos e na segunda-feira (9) está prevista uma Assembleia Geral dos Pós-Graduandos, com a participação de toda a comunidade da USP para uma possível greve”, disse.

A Reitoria da USP

Segundo Assessoria de Imprensa da Reitoria da USP, a negociação salarial envolve as três universidades públicas paulistas –USP, Unesp e Unicamp– e é feita no âmbito do Cruesp com o Fórum das Seis (que congrega os sindicatos das três universidades). Dessa forma, a reitoria da USP não tem a intenção de se reunir com os funcionários e docentes para deliberar sobre o caso específico da Universidade de São Paulo.

Após reunião do Cruesp com o Fórum das Seis, no dia 21, foi emitido o seguinte comunicado sobre a prorrogação da discussão da data-base, que segue abaixo.

A próxima reunião do Cruesp com o Fórum das Seis ainda não está definido, mas deve ocorrer no mês que vem.

Comunicado CRUESP nº 02/2014

Com a confirmação da arrecadação efetiva do ICMS de abril, os níveis de comprometimento do orçamento com a folha de pagamento passaram a ser 95,42% na UNESP, 97,33% na UNICAMP e 105,33% na USP, o que levou o CRUESP a prorrogar a discussão da data-base para setembro / outubro deste ano.

No entanto, consciente da importância de manter o poder aquisitivo dos salários e, ao mesmo tempo, preservar o necessário equilíbrio financeiro das três Universidades, o CRUESP agendou com o Fórum das Seis reuniões mensais de acompanhamento da arrecadação do ICMS para avaliar a situação orçamentário-financeira.

Da redação

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