Congresso Nacional de Pós-Graduandos debate crise e retomada de desenvolvimento

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Foto: Sthefane Felipa

Nesta sexta-feita (29) foi realizado a abertura do 26° Congresso Nacional de Pós-Graduandos na Universidade de Brasília (UnB).
 
Mediado por Tamara Naiz, presidente Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), a abertura contou com a presença da Professora Marcia Abrahão, reitora da UnB, Helena Shimizo, Decana de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, Yuri Nathan, Presidente da Federação de Pós-Graduandos em Direito (FEPODI), Marianna Dias, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Márcio Melo, Vice-Presidente da ANPG,  Luíza Rangel, ex-presidenta da ANPG, Fernanda Sobral, conselheira da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (CNPq).
 
Marianna Dias afirma que o movimento estudantil precisa fortalecer os laços com todos os movimentos educacionais que defendem a universidade pública, gratuita e de qualidade. “O Congresso da ANPG chega em um momento que precisamos nos perguntar: qual é o papel da universidade frente as dificuldades e os muitos problemas sociais do nosso povo. A ciência e a tecnologia deve estar a serviço do povo do nosso país.  A academia que queremos é uma academia popular a serviço dos avanços sociais”, disse.
 
Mario Neto Borges afirma que a soberania nacional se conquista com os avanços científicos e pesquisas e reafirma a importância do Congresso Nacional de Pós-Graduandos com ações e ideias para formentar o desenvolvimento do Brasil.
 
“Nós precisamos fazer que essa Ciência brasileira gere riqueza e ajude a resolver os problemas nacionais como já foi citado aqui. Não basta produzir artigos, a comunidade científica é capaz de dar essa contribuição. O vírus da Zika e um exemplo. Nossa mobilização com diversas entidades conseguiu equacionar o problema em 1 ano e meio”, afirma o presidente da CNPq.
 
Marcia Abrahão disse em sua fala que  a comunidade acadêmica da UnB  vai receber de braços abertos o Congresso da ANPG.
 
“É muito simbólico receber o Congresso da ANPG aqui na UnB. No período da ditadura chegamos a ter metade do nosso quadro de professores demitidos. A nossa instituição tem uma bonita  história de resistência e neste momento é muito importante que a nossa pesquisa nas universidades cheguem de uma forma mais simples para a sociedade. O nosso papel é fundamental para o desenvolvimento do Brasil, mas não basta falarmos isso para nós mesmos”, disse Abrahão.
 
A mesa de abertura teve como tema “Desafios para superação da crise e retomada do desenvolvimento brasileiro” e teve a participação de Hamilton Richard, Doutor em Ciências Sociais pelo Departamento de Estudos Latino-americanos (ELA-UnB) e membro da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação (INTERCOM), Golbery Lessa, Especialista em Politicas Públicas e Gestão Governamental do Ministério do Planejamento, Moara Saboya, graduanda de Engenharia Civil da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-Presidenta da UNE, Andrey Lemos, Presidente da União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (UNA-LGBT).
 
Hamilton Richard defende que vivemos uma ditadura da comunicação e que a sociedade brasileira não é informada ou é informada de forma incorreta sobre as graves crises que o país vive. “A falta de uma informação pública não hegemônica contribui para uma cidadania fraturada como dizia Milton Santos. Pensar o que consumimos de informação e como reproduzimos essa informação é pensarmos em uma verdadeira emancipação. Do que vale a sua pesquisa se ela será pulverizada por meia dúzia de detentores da comunicação no Brasil?”, reflete.
 
Golbery Lessa fez uma análise da conjuntura. “Nos últimos vinte anos esquecemos que a esquerda não pode contar com a elite ou com o mercado, mesmo que haja alguma concessão social. No Brasil, foi rompido os nossos laços democráticos e estamos percebendo a destruição do movimento sindical e dos movimentos de massa. É necessário a reorganização e união para que possamos dar voz aos diferentes grupos no Brasil e não ficarmos reféns do golpe”, afirma.
 
Moara Saboia falou sobre a importância da defesa da universidade pública. “Nós fomos os primeiros a entrar na universidade pública em nossas famílias, mas devemos lutar para que não sejamos os últimos. As bolsas permanências são fundamentais para que o acesso à educação continue crescendo”, disse. “Não podemos falar da conjuntura se não falarmos das eleições que ainda não temos certeza se irá acontecer ou não”, finalizou.
 
Andrei Lemos relembra que o crime político realizado no assassinato de Marielle precisa ser esclarecido e que a produção da Ciência brasileira também combate a LGBTfobia, o machismo e os preconceitos.
 
Após o final do debate da mesa foi lido e aprovado o regimento.
 
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