Mais um Congresso Latino Americano e Caribenho de Estudantes (CLAE) chega ao fim. Esses cinco dias de integração com mais de cinco mil jovens latino-americanos em Montevidéu, Uruguai, deixaram claro que ainda há muitos desafios pela frente. Mas, o grau de unidade estudantil alcançado neste 16º encontro permitiu vislumbrar a perspectiva de uma América Latina cada vez mais combativa e fortalecida, para juntamente com os demais setores sociais, lutar por uma educação pública e de qualidade e por todas as outras bandeiras do continente.

Só o Brasil deslocou mais de 700 jovens de todos os cantos do país. Para abarcar todo este contingente, Montevidéu se dividiu em diversos pólos juvenis.
 
Foram dezenas de conferências e debates simultâneos sobre diferentes temas, que variavam desde sociedade, educação e política até saúde, cultura e realidade latino-americana. Ao todo, 19 países estavam presentes, cada qual com suas cores e estandartes, movimentando a cidade e irradiando a esperança e a alegria.
 
Abertura emocionante
 
A passeata do CLAE reuniu estudantes de toda a América Latina.
No fim de uma tarde atípica para a época do ano, quente, cerca de 3 mil estudantes participaram da abertura oficial do 16º CLAE em plena Avenida 18 de Julho, em frente ao Paraninfo da Faculdade de Direito da Universidade da República do Uruguai. Em uma só voz e com a consciência de que a história é construída por várias mãos, a juventude pedia integração e melhoria na educação para todos os povos da América Latina.
 
O ato foi uma comemoração aos 45 anos da OCLAE e homenageou Mario Benedetti, polígrafo uruguaio mais conhecido por seus contos e romances traduzidos a muitos idiomas. Na ocasião, foi entregue aos familiares do escritor uma placa com a ordem “José Rafael Varona”, um grande militante da época da ditadura do país. Estiveram presentes para saudar todos os estudantes o presidente do Uruguai, José Mujica; a prefeita da cidade, Ana de Oliveira; o Reitor da Universidade do Uruguai, Rodrigo Arocena; e o presidente da OCLA, o estudante cubano Iordanis Charchaval.
 
Durante o ato de abertura, também foram celebrados os 85 anos de nascimento de Fidel Castro e todos os estudantes que combateram a defesa da liberdade e da justiça, exatamente no dia em que se relembra o assassinato do estudante uruguaio Liber Arce, primeiro mártir do combate à ditadura nesse país.
 
Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) transportou a representativa delegação brasileira ao CLAE.
 
Resoluções
 
Em clima de unidade, foi aprovado de maneira consensual, por todas as organizações que são membros plenos e associados da OCLAE, um conjunto de resoluções, acordos, agendas, declarações e o documento central apresentados pelo Secretariado Executivo, cargo no qual a UNE permanecerá pelos próximos dois anos.
 
De igual maneira, a UBES e ANPG também foram reeleitas para mais um período no Secretariado Geral da OCLAE, responsáveis pelos movimentos secundaristas e de pós-graduandos, respectivamente, em todo o continente. A FEU, de Cuba, permaneceu na presidência.
 
Atualmente, a OCLAE reúne mais de 30 federações de estudantes de 23 países do continente, tem assento no conselho consultivo da ONU, participa do Instituto Internacional da UNESCO para Educação Superior da América Latina e Caribe (IESALC) e compõe a comissão de segmento da rede de ENLACES da UNESCO.
 
Vale ressaltar que a Plenária final convocou uma grande Jornada Continental de Lutas, que será lançada junto com a greve geral do Chile, dia 24 de agosto, e prevista para acontecer em março de 2012.
 
Tamara Naiz representou a ANPG ao lado de outros dois diretores da entidade: Júlio Neto e Rodrigo Cavalcante.
Na opinião de Tamara Naiz, vice-presidente Centro Oeste da ANPG presente no CLAE, as discussões pautadas no fórum dizem respeito não apenas à educação, mas aos temas relevantes para a sociedade de uma forma geral.
 
“A ANPG tem lutas e vitórias comuns às entidades aqui presentes e, embora sua representação seja nacional, é solidária às lutas da américa-latina. Por mais avançados que sejam os governos, somente a luta social trará as transformações efetivas para os estudantes e o povo”, finalizou.
 
Da Redação com informações do Estudantenet.
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