5 de julho de 2017

USP aprova o sistema de cotas sociais e étnico-raciais que serão instituídas já em 2018

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O Conselho Universitário aprovou, em sessão realizada no dia 4 de julho, a reserva de vagas para alunos oriundos de escolas públicas e autodeclarados pretos, pardos e indígenas (PPI) nos cursos de graduação da Universidade a partir do próximo ano. Esta é a primeira vez que a USP irá adotar uma política institucional de cotas sociais e raciais.

Esta é uma luta histórica da ANPG, mas foi no 24 Congresso Nacional de Pós-graduandos, em 2014, que esta pauta foi definida como uma das bandeiras para o período que se seguiu e desde 2016 ela vem se tornando realidade nas Universidades.  “Essa é uma conquista cheia de simbolismos, pois a Universidade de São Paulo é uma das mais antigas e consolidadas do país e também uma das mais resistentes a instituição de políticas afirmativas, se tornando uma das últimas universidades públicas a aprovar cotas no âmbito seleção para a graduação! A luta por cotas é atualmente uma das principais bandeiras da ANPG e se fortalece a cada conquista, acreditamos que o estabelecimento de cotas e medidas afirmativas na graduação e na pós-graduação é um passo fundamental para a democratização do acesso à universidade e da produção de conhecimento. A sociedade precisa de mais oportunidades e a universidade precisa de novos olhares, conhecimentos e saberes, todos ganham. Cotas sim, enquanto forem necessárias! Os filhos do povo também vão estudar nas melhores universidades desse país!”, comemorou Tamara Naiz, presidenta da ANPG.

Gabrielle Paulanti, coordenadora geral da APG-USP Capital e conselheira no Conselho Universitário, também comentou a vitória: “A conquista de cotas na USP, incluindo o recorte de classe e étnico-racial é fruto de uma luta árdua e histórica do movimento negro e do estudantil. Ainda não é o percentual desejado, mas representa uma mudança significativa pra essa universidade que sempre foi um lugar de privilégio e símbolo da elite. A USP ainda tem percentuais vergonhosos de estudantes negras e negros e oriundos da escola pública. A expectativa agora é que possamos mudar um pouco o perfil dos estudantes, mas sabemos que não será automaticamente que vamos popularizar a universidade. Precisamos implementar cotas também na pós-graduação e nos concursos técnicos da Universidade. A luta continua e a APG Helenira Preta Rezende da USP Capital tem compromisso com a transformação da Universidade para ser de fato um patrimônio do povo brasileiro”.

A reserva na USP será feita de forma escalonada a partir de 2018: no ingresso de 2018, serão reservadas 37% das vagas de cada Unidade de Ensino e Pesquisa; em 2019, a porcentagem deverá ser de 40% de vagas reservadas de cada curso de graduação; para 2020, a reserva das vagas em cada curso e turno deverá ser de 45%; e no ingresso de 2021 e nos anos subsequentes, a reserva de vagas deverá atingir os 50% por curso e turno.

A reserva de vagas considerará, conjuntamente, os dois processos de seleção da Universidade: o vestibular da Fuvest e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu).