11 de janeiro de 2019

Vitória dos pós-graduandos: novo edital do PDSE volta à pontuação de 550 do ITP

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O Edital do Doutorado Sanduíche de 2018 foi marcado por uma forte questão: a exigência acima da média dos parâmetros internacionais na comprovação da proficiência em inglês. A ANPG encabeçou essa luta e pressionou a Capes por meio de reuniões e uma audiência pública em junho do ano passado para debater o tema.

A exigência era de pontuação mínima de 550 do TOFEL, bem acima do cobrado pela Fulbright, que é de 527. “Buscamos de forma incessante diálogo com a Diretoria de Relações Internacionais (DRI) da agência por entendermos que os termos dispostos no edital não colocavam em condições de isonomia todos os doutorandos candidatos e não consideravam o atual perfil de proficiência e socioeconômico dos pós-graduandos no Brasil”, disse a presidenta da entidade Flávia Calé, em agosto do ano passado, data da última reunião entre a ANPG e o DRI. Calé ainda reforçou que: “em épocas de globalização e internacionalização da Ciência, temos o entendimento que é preciso romper com barreiras e democratizar o acesso às oportunidades de intercâmbio científico e cultural”.

Todo o debate surtiu o efeito desejado no edital lançado no dia 28 de dezembro pela Capes (veja aqui). Nela a nota do Tofel volta a ser 527. “Vivemos um momento de ofensiva dos setores privatistas da educação a nível global. Em sintonia com esse contexto fortalecem-se visões mercadológicas e elitistas da produção científica. Essa conquista representa um avanço para a luta em busca da democratização da ciência, do amplo e irrestrito acesso a programas de internacionalização, principalmente dos setores mais populares da nossa sociedade, historicamente excluídos desses processos. Assim, entendemos que essa vitória contribui para a construção de uma universidade a serviço da democracia e do combate às desigualdades sociais”, comentou o diretor de Relações Internacionais da ANPG, Matheus Fiorentini.

A ANPG ressalta que a luta contra a exigência da proficiência em inglês para países lusófonos continua, assim como os demais idiomas. “Essa luta continua com o  acompanhamento junto as universidades no sentido de aumentar a oferta de formação em línguas estrangeiras para os por graduandos”, acrescenta a presidenta da ANPG.

Unidos somos mais fortes

A Pós-graduanda em Educação, Ângela Arndt, conta como foi a luta dela junto a a ANPG para a mudança deste padrão:

“Da luta, o desejo de continuar lutando, pois os desafios da internacionalização na pós-graduação, vão muito além da proficiência linguística. Para mim tudo começou quando entrei no grupo do Facebook PDSE 2018, organizado por uma aluna da Unisinos/RS, onde um link nos levava a um abaixo assinado que reivindicava a exclusão da proficiência linguística do Edital 047/2017 PDSE/Capes. Este documento foi entregue a Capes, mas não houve resposta alguma. Depois disto, ainda houve uma conversa entre a ANPG e a Diretora de Relações Internacionais, onde também estive presente, porém não conseguimos ser ouvidos. A audiência pública foi uma sugestão de um professor do meu programa de Educação, da Universidade Católica de Brasilia, que por sua trajetória política, entendia que este caminho poderia abrir um diálogo com a Capes. Busquei apoio junto a assessoria da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e elaborei a justificativa para a requerer a audiência pública e esta foi aprovada e marcada para o dia 29 de Maio de 2018.  Conseguimos mobilizar o grupo do Facebook e a ANPG organizou outro grupo no whatzap. Creio que mais de 880 pós-graduandos, que não auguraram os scores do Toefel, buscaram apoio político em seus Estados e programas. Na semana  da audiência estourou a crise de abastecimento e tudo concorria para o seu cancelamento, porém a ANPG conseguiu que a Deputada Alice Cabral presidisse a audiência e como também foi transmitida ao vivo. Como recebíamos interações dos estudantes de todo o Brasil, e os deputados de outros Estados brasileiros foram aparecendo na Comissão e apoiando a nossa reivindicação para baixar o scores do Toefel para B1. Entretanto, um dia antes da mesma, eu e uma socióloga da PUC de Minas que também lutava para inclusão do Exame Siele para o Espanhol,  conseguimos falar com o Dr. Abílio Baeta. Esta reunião reforçou a luta, pois pedimos que fosse autorizado a ida ao exterior dos pós-graduandos com processo homologado na Capes e que estes apresentassem o certificado na volta, também reforçamos a necessidade de reavaliação dos scores dos testes do Toefel superiores a FulBright. A ANPG foi incansável e a participação da ex-presidenta Tamara Naiz na audiência fez com que eu enxergasse a importância da participação e organização dos estudantes em suas universidades por meio das APG para que as Pró-reitorias possam ouvir a nossa voz. Quando tomei conhecimento do edital de 2018/2019, fiquei muito feliz em perceber que a Capes reconheceu como justa a nossa causa. Estou na Universidade de Ottawa, na província de Ontario no Canadá, em meu terceiro mês do sanduíche e sinceramente, não me reconheceria sem esta experiência, a fluência começa a chegar, estou em pleno desenvolvimento acadêmico e aproveitando ao máximo a dimensão intercultural da internacionalização”.