As manifestações deste sábado, 29 de maio, marcaram a volta do povo às ruas em todo o Brasil. Convocado pelas entidades estudantis ANPG, UNE e UBES, sindicatos e as frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o movimento defendeu mais verbas para a Educação e a Ciência, auxílio emergencial de 600 reais e vacinação em massa e ganhou forte caráter antibolsonarista.

De acordo com o balanço realizado pelas entidades promotoras, os atos reuniram cerca de 420 mil pessoas em todo o país, registrando atividades em mais de duzentas cidades, incluídas todas as capitais.

Na cidade de São Paulo, a manifestação chegou a ocupar 10 quarteirões da Avenida Paulista, fechando a via nos dois sentidos, depois saiu em passeata até a Praça Roosevelt.

Em seu discurso, Flávia Calé, presidenta da ANPG, falou da necessidade de reverter a política de desmonte da Ciência e Tecnologia. “Não podemos perder uma geração de jovens brasileiros mais uma vez, nem na escola e na universidade pública e nem na pesquisa. Sem ciência, o Brasil está condenado a ser uma nova colônia no século 21. Isso nós não vamos permitir! Por isso, voltamos às ruas. A ciência que salva vidas e pode garantir nosso futuro precisa ser salva do risco de apagão”.

A depender da situação orçamentária da Educação e da Ciência, novos atos devem ocorrer. Afinal, o tempo vai passando e as suplementações não acontecem. Enquanto isso, universidades federais como a UFRJ e a UFSCAR já declararam que, sem a crescimento de verbas, terão de paralisar as atividades em meados do ano. O CNPq tem para 2021 seu menor orçamento do século.

No Rio de Janeiro, o protesto ocupou a Avenida Presidente Vargas e seguiu até o Largo da Carioca. O ato no Distrito Federal teve concentração no Museu Nacional e marchou até a Esplanada dos Ministérios, onde um boneco de Bolsonaro fazendo alusão a Hitler foi inflado.

Em Recife, a Polícia Militar agiu com truculência e dispersou o final da manifestação com spray de pimenta e tiros de bala de borracha. Duas pessoas perderam a visão e o governo do estado anunciou o afastamento dos policiais responsáveis das ruas.

Em geral, os participantes dos diversos atos utilizaram máscaras, álcool em gel e procuraram manter distanciamento entre si. As entidades organizadoras alertavam reiteradamente sobre as medidas sanitárias e disponibilizavam máscaras nos carros de som.

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