Finalizando o Seminário de Educação e Ciência da ANPG, mais uma etapa para o 28º Congresso da entidade, que será realizado entre os dias 23 e 25 de julho, o debate  “Universidade pintada de povo: do acesso a permanência – ações afirmativas na graduação e na pós-graduação”, trouxe importantes contribuições para o debate da reserva de vagas, como um poderoso instrumento para a redução de desigualdades.

 

Ainda no primeiro dia do Seminário, a presidente da ANPG, Flávia Calé, ressaltou que  sétimo Plano Nacional de Pós Graduação, que começará a ser debatido neste segundo semestre deve incluir as cotas, como forma de tornar a ciência mais diversa no país e para reduzir assimetrias. 

 

Cléber Santos,  presidente da  ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as),também ressalta que o PNPG ainda vigente, da década passada, não contempla as ações afirmativas. 

“Deve haver muita mobilização da sociedade, das entidades e instituições para a inclusão das cotas raciais e sociais no próximo Plano para dar continuidade à democratização que na graduação. ” 

Ainda, Cléber trouxe explicações sobre a revisão da Lei de Cotas (12711/12) neste ano e dos projetos que tramitam no Congresso, que incluem e ampliam as ações afirmativas também na pós-graduação.

“Porém, devemos ficar atentos aos Projetos que também visam acabar com a reserva racial e deixando apenas a social, o que não contempla as necessidades e urgências para democratização do ensino”.

 

Além disso, ainda na graduação deve existir pesquisas sobre a trajetória dos estudantes que ingressaram por meio de ações afirmativas. “ Quantos estudantes chegaram á pós-graduação. Não basta ser apenas contabilizada a matrícula. Hoje não há qualquer monitoramento”, conclui Cléber.

Leticia de Oliveira, coordenadora da Comissão Permanente de Equidade de Gênero da UFF (Universidade Federal Fluminense) e membra do movimento Parent in Science, movimento que debate a parentalidade do universo da ciência do Brasil

“As ações afirmativas não são apenas por justiça, só isso já justificaria a sua existência, claro. Mas é também pensando em maior eficiência, uma vez que  com mais diversidade e com instituições mais democráticas, a produção do conhecimento seja melhor, com melhores formulações”, observa

Letícia ainda acrescentou um recorte de gênero sobre a ciência brasileira.

“ A sociedade é excludente para as mães, seja nos espaços de poder, como nas instituições de ensino, o que reflete também na Ciência. Existem desde os problemas estruturais, para incluir as pesquisadoras com filhos, quanto questões administrativas: o currículo da pós-graduanda deve ser avaliado levando em conta sua maternidade e deve existir um regulamento para a prorrogação de prazos  também”, enfatiza.

 

Projeto

 

Orlando Silva, deputado federal (PcdoB), afirmou em participação por vídeo, avaliando que os ataque ao setor da Ciência e Tecnologia fazem parte de um projeto político, que não almeja a soberania nacional nem a ampliação de consciência do povo.

“Isso se agrava conforme a universidade vai ficando mais diversa, mesmo com empecilhos, com falta de políticas de permanências. Fui o primeiro presidente negro da UNE, e sei as importantes mudanças que aconteceram nas instituições, que potencializaram ainda mais o papel delas e da sua produção científica, por isso levaremos a Congresso Nacional essas demandas urgentes”.

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