Entre os dias 1 e 2 de julho, pós-graduandos participaram de mais uma etapa preparatória para o 28º Congresso da ANPG, que será realizado entre os dias 23 e 25 deste mês, em Brasília.

 

Entre debates, grupos de trabalho e lançamentos de estudos, o Seminário Educação e Ciência, sob o tema “Caminhos para superar os desafios brasileiros” ressaltou a urgência da retomada de investimentos em ciência, um Plano Nacional de Pós-Graduação que reduza as assimetrias  e a mobilização pela defesa da democracia.

 

No primeiro dia do Encontro, a presidente da ANPG,  Flávia Calé, anunciou que, com a discussão de atraso de quase dois anos , o sétimo PNPG teve a formação da comissão anunciada na última semana  e a ANPG terá uma cadeira.

 

Dessa forma, com essa novidade, a primeira mesa  do seminário: “Do PNPG ao PNE: qual sistema educacional é necessário para o Brasil?” tratou do tema.

 

“ Esse PNPG é emblemático por estar sendo debatido no marco do bicentenário da independência do Brasil. A autonomia científica nos possibilita soberania e para a independência do Brasil  no século XXI é necessário torná-lo um produtor do conhecimento, sendo assim, a ciência e a educação são pilares”, avalia Flávia.

 

Jorge Audy, professor titular da Escola Politécnica e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação da PUCRS e coordenador da comissão de acompanhamento do PNPG, avalia que um dos principais objetivos do próximo Plano é articular todas as agências de fomento, em todo país. 

 

Para a presidente também é urgente que o Plano preveja a implementação das cotas raciais na Pós-Graduação e plano de emprego para os jovens doutores, evitando a “fuga de cérebros” do país.

 

Assim, a ANPG, em conjunto com o CEMJ (entro de Estudos e Memória da Juventude), desenvolveu a Nota Técnica Fuga de Cérebros, Circulação Internacional da Ciência e Diáspora Científica de Pesquisadores Brasileiros: Contribuições para o Debate, trazendo um painel do cenário atual da ciência brasileira e também  25 recomendações para conter o fenômeno de expulsão de pesquisadores brasileiros para outros países.

 

Leia a nota técnica completa aqui 

 

Financiamento

 

No segundo dia do Seminário, os participantes da mesa “Caminhos para o financiamento sustentável das universidades e da pós-graduação”, trouxeram grandes contribuições sobre a superação das crises atuais, que envolvem as universidades e a produção científica brasileira, hoje concentrada majoritariamente nessas intuições e que sofrem constantes e sistemáticos ataques.

 

 “As universidades federais fazem parte de um projeto de democratização, na perspectiva de gerar novas oportunidades à comunidade estudantil, à população, dentro da sociedade”, afirmou Alfredo Macedo, reitor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), ao reiterar a necessidade de defender a democracia para retomar investimentos em Ciência.

Ainda, segundo o reitor, o financiamento sustentável nas universidades e pós graduação dependem de um projeto nacional.

“O financiamento deve ser um política de estado, com normativas específicas para proteger os recursos, que sejam permanentes e transparentes. Deve estar definido em um orçamento geral do país anualmente, e não liberado por meio de emendas, após as mobilizações e articulação de reitores e instituições com parlamentares”, acrescenta.

O secretário executivo do Instituto Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.br), Fabio Guedes, avaliou que o financiamento das universidades não se resolve com as propostas que se colocam atualmente pelo governo.

 

“Iniciativas como cobrar mensalidades e taxas não vão resolver a questões de estruturas de universidades, inserção na comunidade e produção de pesquisa – só criarão outros problemas, além de  não garantir os investimentos necessários. O Financiamento passa pelo Congresso Nacional e os respeito às Leis de Diretrizes Orçamentárias” , ressaltou o secretário executivo do Instituto Ciência e Tecnologia no Parlamento Brasileiro (ICTP.br), Fabio Guedes, avaliou que o financiamento das universidades não se resolve com as propostas que se colocam atualmente pelo governo.

Ações afirmativas: uma bandeira urgente

Durante os debates foi ressaltado que o próximo PNPG deve incluir ações afirmativas como as cotas raciais também na pós-graduação.

Cléber Santos,  presidente da  ABPN (Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as), trouxe explicações sobre a revisão da Lei de Cotas (12711/12) neste ano e dos projetos que tramitam no Congresso, que incluem e ampliam as ações afirmativas também na pós-graduação.

“Por outro lado, devemos ficar atentos aos Projetos que também visam acabar com a reserva racial e deixando apenas a social, o que não contempla as necessidades e urgências para democratização da pós-graduação”.

“As ações afirmativas não são apenas por justiça, só isso já justificaria a sua existência, claro. Mas é também pensando em maior eficiência, uma vez que  com mais diversidade e com instituições mais democráticas, a produção do conhecimento seja melhor, com melhores formulações”, observa Leticia de Oliveira, coordenadora da Comissão Permanente de Equidade de Gênero da UFF (Universidade Federal Fluminense) e membra do movimento Parent in Science, movimento que debate a parentalidade do universo da ciência do Brasil.

Letícia ainda acrescentou um recorte de gênero sobre a ciência brasileira.

“ A sociedade é excludente para as mães, seja nos espaços de poder, como nas instituições de ensino, o que reflete também na Ciência. Existem desde os problemas estruturais, para incluir as pesquisadoras com filhos, quanto questões administrativas: o currículo da pós-graduanda deve ser avaliado levando em conta sua maternidade e deve existir um regulamento para a prorrogação de prazos  também”, enfatiza.

Mulheres Cientistas e a Pandemia

A Revista Científica da ANPG  – Ciência, Tecnologia e Políticas Educacionais -” Mulheres e Mães Pesquisadoras em Tempos de Covid-19”   se dedicou a receber artigos das pós-graduandas, uma vez que os desafios da pandemia foram muito intensificados para as mulheres.

Bruna Garcia, diretora acadêmica, observa que as pós-graduandas ficaram sobrecarregadas nesse período e muitas interromperam suas pesquisas. 

“Trazemos muitos temas pertinentes  ligados aos desafios femininos e os impactos de gênero nesse período e apresentamos propostas para superá-los e as lutas das associações de pós-graduandos em organização para debater as mulheres, maternidades e parentalidade, para uma carreira acadêmica que seja mais diversa e plural”. 

Também foi anunciada a submissão de trabalhos para a Mostra Científica do 28º Congresso da ANPG, que poderá ser feita pelo link, com resumo do projeto e vídeo

 

 

 

 

 

 

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